Serviços de entrega criam oportunidades para venezuelanos

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Publicado quinta-feira, 16 de abril de 2020 as 14:50, por: CdB

Os serviços de entrega se tornaram uma das poucas oportunidades de emprego para os venezuelanos submetidos a uma quarentena do coronavírus em um país que já sofre com recessão, hiperinflação e escassez de combustível.

Por Redação, com Reuters – de Caracas

Os serviços de entrega se tornaram uma das poucas oportunidades de emprego para os venezuelanos submetidos a uma quarentena do coronavírus em um país que já sofre com recessão, hiperinflação e escassez de combustível.

Entregador usa telefone celular para contactar cliente em Caracas
Entregador usa telefone celular para contactar cliente em Caracas

De comerciantes que antes vendiam mercadorias em lojas a ex-taxistas que não têm mais passageiros, cidadãos desesperados para colocar comida na mesa estão entregando de tudo, de carne e vegetais a ração para cachorro e itens de decoração de interiores.

E, ao contrário das pessoas da maioria dos países, os venezuelanos que fazem entregas têm que lutar com a falta crônica de gasolina, o que pode exigir horas em filas e, em alguns casos, levaram alguns trabalhadores a trocar motocicletas e carros por bicicletas.

– Fiquei sem emprego por causa da quarentena – contou Jesús Villamizar, 43, condutor de mototáxi que na terça-feira começou a fazer entregas para uma loja de departamentos que também fornece produtos alimentícios. “Tenho que conseguir comida para o lar”.

Quarentena

Pai de três filhos, Villamizar disse que precisa ganhar cerca de um milhão de bolívares (US$ 7,50) por dia para sustentar a família em um nação com uma inflação anual de 3.365%.

A associação comercial venezuelana Consecomercio, que representa cerca de 15 mil estabelecimentos, disse que não tem uma estimativa de quantos pontos comerciais começaram a usar serviços de entrega para substituir os postos de vendedores perdidos na quarentena.

O presidente da Consecomercio, Felipe Capozzolo, disse em uma entrevista que tais serviços estão disponíveis somente para “dois ou três por cento da população”, porque os produtos entregues em casa tendem a ser muito mais caros do que aquilo que o consumidor médio pode pagar.

Em Valência, cidade do norte do país, José Luis Ortiz começou a fazer compras para amigos e a entregar os produtos em suas casas para compensar a renda perdida depois que sua loja de equipamentos eletrônicos fechou por causa da quarentena.

– Tive que inventar algo para sobreviver – disse Ortiz, de 37 anos.

Sergio dos Santos, dono de uma lanchonete que serve hambúrguer e cachorro-quente em Bolívar, Estado do sudeste, disse que as entregas domiciliares salvaram seu negócio da falência, embora poucos usassem o serviço antes da quarentena.

– Estamos vivendo de delivery – disse Santos, de 45 anos, cujos motoristas cobram de dois a cinco dólares por viagem.