Sharon propõe teste de paz a palestinos

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Publicado sexta-feira, 19 de novembro de 2004 as 08:43, por: CdB

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, propôs um teste à nova liderança palestina: mostrar seu desejo de paz evitando incitar a população contra o Estado judaico, mesmo antes de reprimir os militantes.

Num aparente abrandamento das condições para a retomada das negociações, Sharon disse a membros de seu partido, o Likud, no final da noite desta quinta-feira que a propaganda antiisraelense em escolas e na imprensa palestinas é tão perigosa quanto as armas dos militantes.

– Não pretendo perder tempo, e meu plano é encontrar uma forma, quando a nova liderança palestina estiver pronta para abrir negociações, para começar a avançar nas nossas relações com os palestinos – disse Sharon.

– Como a liderança palestina será testada? Não podemos ceder nas nossas exigências de recolher armas e desmantelar as organizações terroristas, mas está claro que se trata de um processo mais complicado – disse ainda.

– Por outro lado, há outras duas exigências que estão sob o controle da nova liderança, que deve implementá-las imediatamente”, acrescentou Sharon, citando “a constante propaganda e incitação venenosa” na imprensa e nas escolas palestinas.

A Autoridade Palestina rejeitou os termos nesta sexta-feira, dizendo que o premiê israelense deveria abandonar todas as condições para um diálogo. Analistas dizem que, com esse comentário, Sharon atenua sua postura anterior, de exigir que os palestinos desmantelem os grupos militantes antes de se sentar à mesa de negociações.

O novo líder palestino, Mahmoud Abbas, já havia prometido reprimir os grupos armados para permitir a realização de eleições em 9 de janeiro para a escolha do sucessor definitivo do presidente Yasser Arafat, morto no dia 11. Ainda nesta quinta-feira, em Gaza, líderes da facção majoritária Fatah ordenaram que os membros das forças palestinas de segurança deixem de atuar com os grupos militantes nas suas horas de folga.

Dezenas de agentes são suspeitos de colaborarem com facções armadas, principalmente as Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, ligadas à Fatah, mas também o Hamas e a Jihad Islâmica.
Centenas de israelenses foram mortos em ataques cometidos por militantes palestinos, e as forças do país, por seu lado, matam com frequência agentes de segurança palestinos servindo como atiradores.