Sharon se recusa a debater assentamentos

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Publicado terça-feira, 13 de maio de 2003 as 08:45, por: CdB

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, declarou que não vai discutir a questão dos assentamentos judaicos, um dos principais pontos do novo plano de paz para o Oriente Médio.

Em entrevista ao jornal Jerusalem Post, Sharon disse que todos os governos israelenses continuaram com os assentamentos de alguma maneira, mesmo durante períodos de paz diplomática e que a questão, portanto, está “fora do horizonte”.

Sharon também afirmou que não será pressionado quando visitar Washigton para discutir o plano de paz patrocinado pelos Estados Unidos.

O plano prevê que Israel deixe de expandir assentamentos judaicos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

– Não estamos viajando para um lugar onde há pressões – disse Sharon. – Vamos para um lugar com o qual temos uma relação especial.

Os comentários fizeram surgir dúvidas sobre o apoio conquistado pelo secretário de Estado americano, Colin Powell, que se encontrou com Sharon em sua viagem pela região para promover o plano de paz.

Powell chegou à Arábia Saudita vindo da Jordânia, onde insistiu que os Estados Unidos não iriam reescrever o plano de paz entre israelenses e palestinos.

O documento prevê uma série de passos para construir confiança mútua. A Autoridade Palestina impediria os ataques de militantes a Israel em troca do fim dos assentamentos.

Powell se referiu à libertação de prisioneiros palestinos, à remoção das restrições de trânsito e à transferência de fundos aos palestinos como medidas que mostrariam o comprometimento de Israel com o plano de paz.

Em meio ao giro de Powell, outro ataque de militantes palestinos deixou pelo menos nove pessoas feridas em um assentamento judaico.

Relatos indicam que todos os feridos eram soldados judeus de uma base militar no assentamento de Gush Katif, mas moradores locais também podem ter sido atingidos.

O atentado ocorreu depois que os israelenses impuseram o isolamento total da Faixa de Gaza, inclusive com a saída de todos estrangeiros, jornalistas e agentes humanitários.

Em Nablus, na Cisjorndânia, tropas israelenses demoliram um prédio que teria sido utilizado para preparar explosivos.

A casa de um suspeito de militante palestino também foi destruída em Qalqilya.

A polícia de Israel disse que 13 pessoas foram presas durante a madrugada desta terça-feira suspeitas de lavar dinheiro para o grupo islâmico Hamas na cidade de Umm El-Fahm, no norte de Israel.

Um dos presos, Sheik Raed Salah, foi apontado como líder de um grupo chamado Movimento Islâmico.

A prisão ocorreu depois de dois anos de investigações da polícia e de serviços de segurança de Israel.

Os homens seriam levados a um tribunal em Tel Aviv ainda nesta terça-feira, onde as autoridades judiciais decidiriam se os suspeitos deveriam permanecer sob custódia até o fim das investigações.