Síria: EUA não planejam sair da cidade de Manbij

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Publicado segunda-feira, 29 de janeiro de 2018 as 12:56, por: CdB

Assim, as tropas norte-americanas correm risco de ser apanhadas pelo progresso militar da Turquia no norte da Síria se Ancara cumprir sua promessa de avançar na área

Por Redação, com Sputnik – de Beirute:

Os EUA não planejam retirar suas tropas da cidade síria de Manbij apesar das advertências da Turquia, declarou na segunda-feira o chefe do Comando Central dos EUA, general Joseph Votel.

Apesar dos avisos da Turquia, EUA não planejam sair da cidade síria de Manbij

– Retirar as forças norte-americanas de Manbij não é algo que procuramos fazer – comunicou o canal CNN, citando Votel.

Assim, as tropas norte-americanas correm risco de ser apanhadas pelo progresso militar da Turquia no norte da Síria se Ancara cumprir sua promessa de avançar na área.

Mais anteriormente neste mês, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu; declarou que Ancara não vai limitar medidas de precaução contra as Unidades de Proteção Popular (YPG) ao distrito de Afrin síria e que pode vir a se mover a Manbij, também na província de Aleppo.

O ministro das Relações Exteriores turco declarou que, em comparação com as promessas dos EUA, as cidades de Manbij e Raqqa não foram governadas por conselhos locais depois de terem sido libertas do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia). Mas ficaram nas mãos do Partido da União Democrática (PYD), considerado afiliação do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK); que consequentemente é designado como organização terrorista pela Turquia.

Após a declaração de Cavusoglu, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan; declarouque as forças turcas vão limpar completamente a região dos terroristas; começando com a cidade síria de Manbij e ao longo de toda a fronteira turco-síria.

Tanques alemães

Desde a época da Segunda Guerra Mundial, os tanques alemães mantiveram uma reputação impecável. Assim acreditava a Turquia, que recorreu a seus Leopard 2A4 contra os terroristas na Síria. Mas o resultado acabou sendo “traumático”: os blindados alemães sofreram grandes danos perante armamentos; que nem sempre eram de ponta.

Os tanques Leopard 2 alemães disputam com projetos comprovados como o M1 Abrams dos EUA e o Challenger 2 britânico o título do melhor do mundo. Mas seu desempenho na Síria deu um forte golpe na imagem de um blindado quase indestrutível; escreve Sebastien Roblin em seu artigo para The National Interest.

Com sensores potentes e uma blindagem espessa, os Leopard 2 são representam toda uma força no campo de batalha.

Porém, de fato, não têm visto combate suficiente até o momento.

No início dos anos 2000, Berlim vendeu 354 tanques descomissionados Leopard 2A4 a Ancara, escreve o jornalista.

Em 2016, estes blindados entraram em combate na fronteira com a Síria no âmbito da Operação Escudo do Eufrates contra o grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia e em outros países).

Combates

Nos combates perto da cidade de Al-Bab, o Exército turco perdeu ao menos dez blindados, destroçados pelos explosivos caseiros e mísseis antitanque, o que os militares da Turquia qualificaram de “um trauma” em conversações com seus colegas alemães.

A principal razão dessas perdas é, de fato, o uso descuidado dos veículos perante uma guerra de guerrilha, afirma Roblin.

Sem serem acompanhados pela infantaria e sem um perímetro de defesa adequado; os tanques turcos acabaram sendo um alvo fácil para as emboscadas.

Ao ver a ineficácia de seu equipamento bélico em missões de contrainsurgência; Ancara pediu a Berlim para que modernizasse seus blindados com sistemas de defesa mais modernos e convenientes para missões deste tipo, semelhantes às modificações mais recentes do Leopard, o 2A6 e 2A7.

Equipamentos

No entanto, o caso foi complicado pela seletividade de Berlim na hora de vender equipamentos e as tensões políticas entre os dois países, sublinha o autor.

A detenção do jornalista de dupla nacionalidade turco-alemã, Deniz Yucel, enfureceu Berlim; enquanto a ofensiva turca contra os curdos na Síria basicamente acabou com as chances para melhorias, ao menos em curto prazo.

Desta forma, a Turquia ficará com seus Leopard 2 atuais, pouco protegidos contra os mísseis antitanque; tanto dos terroristas como das milícias curdas; “até que chegue um momento mais oportuno politicamente” para retomar a negociação do acordo, concluiu o autor.

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