Sistemas metroferroviários têm prejuízo de R$ 933 milhões por covid-19

Arquivado em: Brasil, Destaque do Dia, Últimas Notícias
Publicado quinta-feira, 16 de abril de 2020 as 13:25, por: CdB

A redução de passageiros no sistema metroferroviário do país, por causa da pandemia de coronavírus, provocou um déficit de R$ 933 milhões na receita tarifária de metrôs, trens urbanos e veículos leves sobre trilhos (VLTs).

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

A redução de passageiros no sistema metroferroviário do país, por causa da pandemia de coronavírus, provocou um déficit de R$ 933 milhões na receita tarifária de metrôs, trens urbanos e veículos leves sobre trilhos (VLTs). A conclusão é de estudo feito pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), que analisou o período desde o dia 16 de março até agora.

Sistemas metroferroviários têm prejuízo de R$ 933 milhões
Sistemas metroferroviários têm prejuízo de R$ 933 milhões

Em março do ano passado, os sistemas metroviários transportaram 250 milhões de passageiros. Em março deste ano, o número caiu para 98 milhões, informou o presidente do Conselho da ANPTrilhos, Joubert Flores, à Agência Brasil.

Para abril, a projeção é que apenas 50 milhões de pessoas sejam transportadas. “Quer dizer, 79% a 80% a menos do que normalmente transportamos. O impacto é direto na receita”. O cenário deverá se repetir no mês de maio.

Segundo Flores, as operadoras têm características diferentes. “Algumas são estatais e dependem de subsídio do próprio Estado, o que vai necessitar de um incremento grande de recursos, em uma hora difícil. Outras são privadas, desoneraram bastante o Estado, mas vão precisar de capital de giro. Essa é a maior preocupação neste momento”, disse.

Negociações

A ANPTrilhos está em articulação com diversos órgãos do governo para ver se consegue reduzir a perda. De acordo com Flores, isso gera um desequilíbrio no contrato para as operadoras privadas, que terá de ser tratado no futuro. Agora, o que importa é manter a operação e o atendimento à população, afirmou.

– Até porque é um serviço essencial e hoje ele é mais importante por transportar pessoas de outros serviços essenciais: segurança, saúde, quem trabalha com alimentação e mercado.

Já foram feitas reuniões com os ministérios da Economia e do Desenvolvimento Regional e com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal, que serão os possíveis financiadores.

A ideia é buscar um mecanismo de financiar capital de giro nos meses de crise, para que a situação possa ser retomada depois.

Flores disse ter encontrado receptividade dos ministérios, do BNDES e da Caixa. “Eles entenderam que é um serviço essencial e que não pode correr risco de paralisação.”

Os bancos, segundo ele, estão dispostos a ajudar na compensação do desequilíbrio causado pela pandemia.

Com o BNDES, Flores disse que já foram realizadas duas reuniões e que algumas operadoras já estão negociando diretamente com o banco desde a última segunda-feira.

Custo

De acordo com a associação, as empresas e seus empregados têm feito um esforço muito grande para permitir que as pessoas fiquem em casa.

No caso específico da operação metroferroviária, a dificuldade é o custo feito para operar um trem, resultante da soma de mão de obra, energia e manutenção. “Você não consegue fugir desse tripé e, mesmo oferecendo uma grade reduzida, o seu custo fixo é alto e, sem a receita, fica mais difícil manter.”

Como se trata de um serviço público essencial, a preocupação é que ele suporte financeiro para se manter no período de pandemia e não ter prejuízo, além de continuar oferecendo a qualidade e a segurança do serviço.

Para o presidente da associação, é muito difícil prever quando o transporte regular será retomado. “As pessoas não vão voltar no dia seguinte, nem terão o mesmo comportamento de antes, até porque, é muito provável que a economia não volte a funcionar 100%.”

Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Economia esclareceu, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comenta medidas em análise ou que ainda não são públicas.

– O grupo de monitoramento da crise econômica relacionada à covid-19 está analisando diversas alternativas para reduzir os impactos da pandemia para o setor produtivo e para o setor público, com o objetivo de preservar especialmente a população mais vulnerável. As novas decisões serão informadas no momento em que forem devidamente finalizadas e tornadas públicas.

O BNDES informou que não comenta linhas e medidas emergenciais que não tenham sido anunciadas e a Caixa não respondeu a um e-mail da Agência Brasil até o fechamento da matéria.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *