Sob panelaço nacional, Bolsonaro tenta se explicar sobre denúncias de Moro

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Publicado sexta-feira, 24 de abril de 2020 as 18:03, por: CdB

Enquanto Bolsonaro falava, a Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para apurar denúncias de Moro. A PGR quer apurar denúncias formuladas por Moro, entre elas, “falsidade ideológica, advocacia administrativa, obstrução de Justiça; corrupção passiva e crimes contra a honra”.

Por Redação – de Brasília

Enquanto milhões de brasileiros iam às janelas bater panelas no final da tarde desta sexta-feira, contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), em todas as grandes cidades do país, o mandatário neofascista fez um pronunciamento em que tentou se explicar quanto à renúncia do agora ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. O presidente disse que “uma coisa é admirar uma pessoa, outra é conviver, trabalhar com ele”.

Bolsonaro fez uma aparição pública, nesta sexta-feira, para anunciar medidas contra a pandemia
Bolsonaro reuniu todos os seus ministros para se defender das denúncias de Moro

Enquanto Bolsonaro falava, a Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para apurar denúncias de Moro. A PGR quer apurar denúncias formuladas por Moro, entre elas, “falsidade ideológica, advocacia administrativa, obstrução de Justiça; corrupção passiva e crimes contra a honra”. De acordo com o pedido da Procuradoria-Geral, Moro será convocado a depor e apresentar documentos e provas contra o presidente.

Em sua fala, Bolsonaro acusou o ex-ministro de lhe propor que fizesse a troca na direção da Polícia Federal (PF) em novembro, após indicá-lo a uma cadeira no STF.

— Não é por aí. E outra coisa. É desmoralizante para um presidente ouvir isso — disse.

Máscara

Bolsonaro lembrou, ainda, que Moro não participou da campanha e o conheceu em uma visita que ele lhe fez, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde mora, levado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o único ministro presente na aglomeração promovida no Palácio do Planalto a usar máscara higiênica.

Reunido com todos os seus ministros e deputados federais, entre eles Hélio Negão (PSL-RJ) e o filho, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), durante o pronunciamento, Bolsonaro relatou, ainda, que Moro nomeou o diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo; além de todos os demais cargos proeminentes na autarquia, “e não questionei se estes eram os melhores quadros da PF”, disse.

O combate à corrupção, sob o ponto de vista do presidente, perdeu sentido uma vez que, sob seu governo, a roubalheira nas empresas públicas “não existe mais”.

— Continua não sendo fácil, mas hoje em dia conto com muitos parlamentares que comungam com essa tese — acrescentou.

Desarmamentista

Moro foi acusado também de se preocupar mais com o inquérito sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, do que com o suposto atentado que teria sofrido em Juiz de Fora (MG), durante a campanha eleitoral, em 2018.

— Me desculpe, entre o meu caso e o de Marielle, o meu está mais fácil de solucionar. Isso é interferir na Polícia Federal? — questionou.

Segundo Bolsonaro, Moro também seria “um ministro desarmamentista”.

— Aquilo que eu defendi, durante a campanha, os ministros tem que estar comigo ou não estão no governo certo — acrescentou.

De acordo com o mandatário, “o governo continua”, apesar da forte reação em contrário, por parte de setores inteiros da sociedade civil organizada. Para Bolsonaro, ele não pode perder sua autoridade “por questões pessoais de pessoas que se antecipam em projetos outros”, referindo-se à possibilidade do ex-juiz ser candidato à Presidência da República, em 2022.

Ao final do pronunciamento, Bolsonaro saiu sem responder a nenhuma pergunta dos repórteres presentes.

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