Sociedade brasileira reage à transferência de milhões da pandemia à primeira-dama

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Publicado quinta-feira, 1 de outubro de 2020 as 19:15, por: CdB

Em março o Marfrig anunciou a doação de R$ 7,5 milhões para que o Ministério da Saúde comprasse 100 mil testes rápidos à presença do vírus SarsCov-4. O governo, então, desviou a finalidade de R$ 7,5 milhões doados para a compra de testes rápidos da covid-19.​

Por Redação – de Brasília

A doação milionária da Marfrig, um dos maiores frigoríficos da América Latina, foi parar em um programa da mulher do presidente Jair Bolsonaro, Michelle, em vez de ser usada para comprar testes rápidos para covid-19. O repasse pegou muita gente de surpresa e os protestos explodiram nas redes sociais, nesta quinta-feira.

A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, recebeu dinheiro de doação para compra de testes contra covid-19
A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, recebeu dinheiro de doação para compra de testes contra covid-19

Em março o frigorífico anunciou a doação de R$ 7,5 milhões para que o Ministério da Saúde comprasse 100 mil testes rápidos à presença do vírus SarsCov-4. O governo, então, desviou a finalidade de R$ 7,5 milhões doados para a compra de testes rápidos da covid-19 e repassou a verba ao programa ‘Pátria Voluntária’, liderado pela primeira-dama.​

O Brasil já se encontrava em pandemia e não tinha esse material para seguir a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de testar em massa a população. Mas os recursos não foram aplicados para essa finalidade e foram desviados para o Arrecadação Solidária, administrado por Michelle Bolsonaro. A informação foi obtida, em primeira mão, pela jornalista Constança Rezende, no diário conservador paulistano Folha de S.Paulo.

Evangélicos

Esse mesmo programa liderado por Michelle Bolsonaro repassou, sem edital de concorrência, dinheiro público a instituições evangélicas ligadas à ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).

A doação da Marfrig foi feita num momento em que o Ministério da Saúde, que tinha como titular Luiz Henrique Mandetta, anunciava que o governo tentaria firmar parcerias com a iniciativa privada para financiamento de parte das compras dos kits.

Mas, no caso da Marfrig, a empresa foi orientada pela Casa Civil da Presidência da República a depositar a doação de R$ 7,5 milhões numa conta da Fundação do Banco do Brasil, gestora dos recursos do programa Pátria Voluntária.

Sem testes

Posteriormente, a empresa foi consultada pelo governo Bolsonaro sobre a possibilidade de destinar a verba doada não para a compra de testes por parte do Ministério da Saúde, mas para outras ações de combate aos efeitos socioeconômicos da pandemia de covid-19.

Os R$ 7,5 milhões da Marfrig representam quase 70% da arrecadação do programa até agora, que tem R$ 10, 9 milhões. No dia 1° de julho, segundo ela, o destino do dinheiro transferido ao governo mudou. A empresa diz ter sido então consultada “sobre a possibilidade de destinar a verba doada não para a compra de testes por parte do Ministério da Saúde, mas para outras ações de combate aos efeitos socioeconômicos da pandemia de covid-19, especificamente o auxílio a pequenos negócios de pessoas em situação de vulnerabilidade”.

“Como a ação estava diretamente ligada à mitigação dos danos causados pela pandemia, a Marfrig concordou com a nova destinação dos recursos doados”, resumiu a empresa.