Sorriso de Melania Trump quebra gelo entre EUA e Rússia mas não no Círculo Ártico

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Publicado terça-feira, 4 de dezembro de 2018 as 12:40, por: CdB

No jantar promovido pela Presidência da Argentina, Melania e Putin, na realidade, trocaram apenas um cumprimento, avidamente registrado por um batalhão de paparazzi, durante o encontro. A tensão entre os dois países, na realidade, está longe das questões pessoais.

 

Por Redação, com agências internacionais – de Buenos Aires e Moscou

 

Embora as relações entre os EUA e a Rússia tenham esfriado, após a escalada na tensão com a Ucrânia, o que levou o presidente Donald Trump a cancelar uma reunião com o contraparte russo, Vladimir Putin, durante o encontro do G20 — encerrado no domingo, em Buenos Aires — o tempo vai esquentar entre as duas superpotências nucleares. A foto em que a primeira-dama norte-americana, Melania Trump, troca sorrisos com o líder russo ganha tons de malícia nas redes sociais.

Melania e Putin trocam sorrisos, em jantar na Casa Rosada, durante encontro do G20
Melania e Putin trocam sorrisos, em jantar na Casa Rosada, durante encontro do G20

No jantar promovido pela Presidência da Argentina, Melania e Putin, na realidade, trocaram apenas um cumprimento, avidamente registrado por um batalhão de paparazzi, durante o encontro. A tensão entre os dois países, na realidade, está longe das questões pessoais e muito mais perto da disputa, palmo a palmo, pela exploração de petróleo na região do Círculo Ártico, considerada a última e mais rica fronteira da energia suja.

Alvo das maiores petroleiras do Ocidente, o Ártico sob controle da Rússia tem sido ativamente pesquisado por setores do governo; enquanto os EUA têm perdido terreno na disputa pela região. Comentarista do canal norte-americano de TV NBC News, a jornalista Sabrina Shankman lembrou, nesta terça-feira, que a frota de quebra-gelos da marinha yankee está em condições terríveis, adicionando que atualmente só dois quebra-gelos estão operacionais.

Novo muro

Os objetivos principais dos quebra-gelos incluem a coleta de dados científicos, resgate de navios bloqueados nos gelos e a neutralização de vazamentos de petróleo em partes remotas do planeta. Ademais, esses navios garantem os interesses dos EUA nas regiões do Ártico, visto que o degelo das geleiras abre novas oportunidades comerciais nessa região.

No entanto, o canal indica que um dos quebra-gelo em serviço, o Polar Star (Estrela Polar), construído há 40 anos, já ultrapassou o período de vida útil e registra avarias frequentes. Ao mesmo tempo, o segundo, Healy, foi construído em 2000 e hoje só é capaz realizar tarefas científicas.

A autora destaca que, no melhor dos casos, um novo quebra-gelo norte-americano entrará nas águas árticas dentro de cinco anos, enquanto hoje a Rússia conta com mais de 40 navios desse tipo na região. No entanto, para atingir isso, é preciso que o governo dos EUA invista bilhões de dólares, mas, em vez disso, a Casa Branca gasta somas enormes para construir um muro na fronteira com o México, sublinha o canal.

Corrida armamentista

Nessa conexão, muitos especialistas opinam que, na corrida pelo Ártico, os EUA estão sendo ultrapassados pela Rússia. Uma coisa é um navio estar bloqueado no gelo, pois vários países podem ajudar nesse caso. Outra coisa completamente diferente é quando um adversário tenta invadir a zona econômica exclusiva norte-americana ou entrar na corrida armamentista com os EUA.

— A questão é que os EUA ignoraram o Ártico. Perderam a principal rota marítima do futuro entre a Ásia e a Europa. Cedemos o controle sobre este oceano à Rússia e à China — afirmou o deputado democrata norte-americano John Garamendi.

Entretanto, o artigo lembra que na época da Segunda Guerra Mundial, a frota norte-americana de quebra-gelos estava no seu auge, contando com sete navios. Mas essa era acabou. A Administração Trump propôs destinar US$ 750 milhões (R$ 2,88 bilhões) para um novo navio, mas o dinheiro acabou por ser investido no muro na fronteira com o México.

— Somos a maior potência naval no mundo e esperamos que um navio construído nos anos 70 continue a funcionar — completou o cientista político Heather Conley, referindo-se ao quebra-gelo Polar Star.

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