SP investe na produção de látex

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Publicado quinta-feira, 10 de abril de 2003 as 09:23, por: CdB

O Estado de São Paulo já desponta como um novo pólo produtor de látex. Os seringais da região oeste do Estado apresentam uma produtividade 15% acima da média nacional e custos de produção 6% inferiores em relação ao norte do País, tradicionalmente maior pólo produtor de látex em razão da grande reserva de seringais no Acre e Amazonas.

A venda do látex garante uma rentabilidade, aos agricultores paulistas que se dedicam à extração do insumo, de R$ 3 mil a R$ 4 mil por hectare.

São Paulo possui atualmente 31 mil hectares destinados à atividade – a maior parte dos quais em São José do Rio Preto – que garantem uma produtividade média de 1,5 tonelada de látex por hectare, cerca de 15% a mais que a média brasileira, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA).

A produção paulista de látex extraída de seringais cultivados, segundo dados do IEA, cresce cerca de 10% ao ano.

No Estado de São Paulo, a atividade comercial é desenvolvida há menos de dez anos. Segundo Veiga, a produção deverá ser ampliada nos próximos anos em função do tempo que uma seringueira demora para começar produzir, variando entre sete e oito anos. Hoje, a região produz aproximadamente 72,8 milhões de toneladas de látex por ano.

Por hectare, o agricultor paulista gasta aproximadamente R$ 1,58, ante a média nacional de R$ 1,65 por hectare, ou seja, uma redução de 6% nos custos.

Segundo o pesquisador do IEA, Alceu de Arruda Veiga Filho, a região oeste do Estado está atraindo o cultivo de variedades fixas, como a seringueira – que demora até sete anos para começar a produzir -, o palmito de pupunha e o coco da Bahia.

“A região possui solo arenoso, que facilita a erosão. As plantações fixas são mais adaptáveis a este tipo de terreno.”

Além disso, segundo o pesquisador, a região oeste possui clima propício para a cultura, pois é mais quente, em decorrência da pouca chuva.

O látex natural, extraído da seringueira, está ganhando novas aplicações no mercado, como o couro vegetal.

Da mistura do insumo com outros materiais – como algodão cru, seda e papel jornal – é obtido um produto com consistência semelhante ao couro animal, mas com vantagens como preço final 145% inferior para o consumidor, maior durabilidade e aroma mais agradável. O preço do litro do látex é de R$ 2,00 para o seringueiro. Uma lâmina pronta de couro vegetal, com 80 por 110 centímetros, custa cerca de R$ 20,00.

O produto final pode ser, por exemplo, uma jaqueta de manga comprida, que utiliza duas lâminas para sua confecção, e é vendida por cerca de R$ 90,00. Já uma jaqueta feita com couro animal custa em média R$ 220,00.

O preço da lâmina do couro vegetal é semelhante à do animal – porém, seu preço final para o consumidor é menor em função de benefícios fiscais. Por ser ecológico, o produto é isento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

O avanço de outras culturas na área agrícola do Estado sinaliza uma mudança no perfil histórico da atividade ligado à monocultura cafeeira que, posteriormente, se subdividiu em sucroalcooleira e dos citros.

A mandioca, avançando 106%, é outro destaque da agricultura paulista, cuja cadeia produtiva passa por uma reformulação, estimulada pelas novas plantas industriais para produzir amidos modificados.

Além disso há as frutas, cuja área cultivada teve crescimento de 118%, impulsionado por mudanças de hábitos de consumo da população.

No entanto, ainda predomina a cana no território paulista. Ela é a cultura que mais cresce em área – 369% entre os triênios 96/98 e 99/2001. Segundo o IEA, a cana tem sido beneficiada com possibilidades de maior rentabilidade em conseqüência do aumento das exportações de açúcar nos últimos dez anos e pelo crescimento do consumo de álcool anidro, utilizado como oxigenante na gasolina.

Apenas as plantações de cana incorporaram 40 mil hectares de outras atividades nos úlitmos três anos. Já a citricultura paulista – a que mais cedeu área (queda de 93