SP tem mais de 66 mil pessoas vivendo nas ruas, revela instituição

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Publicado quarta-feira, 13 de outubro de 2021 as 14:15, por: CdB

A avaliação da instituição é que a crise econômica, agravada na pandemia de covid-19, provocou um aumento no número de pessoas em situação de rua. O presidente do movimento, Robson Mendonça, ainda adverte que, junto à emergência sanitária, houve uma mudança no perfil e nas necessidades dessa população.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

São Paulo tem hoje mais de 66 mil pessoas vivendo nas ruas cidade. É o que mostra levantamento do Movimento Estadual da População em Situação de Rua (MEPSR-SP). O número, 66.280, é quase três vezes maior do que registrado pelo censo oficial da prefeitura de São Paulo, realizado em 2019, que apontou para 24.344 pessoas sem-teto.

“Há muitas famílias, famílias inteiras com crianças, inclusive crianças recém-nascidas vivendo em situação de calçada, procurando abrigos”, descreve o presidente do MEPSR-SP, Robson Mendonça

A avaliação da instituição é que a crise econômica, agravada na pandemia de covid-19, provocou um aumento no número de pessoas em situação de rua. O presidente do movimento, Robson Mendonça, ainda adverte que, junto à emergência sanitária, houve uma mudança no perfil e nas necessidades dessa população.

– Há muitas famílias, famílias inteiras com crianças, inclusive crianças recém-nascidas vivendo em situação de calçada, procurando abrigos. Como a prefeitura não está preparada para isso, não tem abrigos para essas famílias, aumentou muito o número de pessoas em estado de vulnerabilidade social, chegando a mais do que 50%. Antes (da pandemia) havia uma procura (da população de rua) por documentação, cursos profissionalizantes, agora não. Eles procuram por barraca para ficar com as crianças e por alimentos. Buscam uma maneira de se abrigar, se alimentar e a prefeitura tem como atender as demandas deles. Mas isso não acontece – comenta Mendonça à repórter Júlia Pereira, da Rádio Brasil Atual.

Fim do Rede Cidadã

Uma das frentes de atuação do movimento para atenuar essa crise é a entrega de marmitas pelo programa Rede Cidadã. O projeto emergencial foi criado pela prefeitura no início da pandemia, no ano passado. A iniciativa, contudo, quase foi extinta no mês passado pelo município, que acabou recuando da decisão, adiando o encerramento do Rede Cozinha Cidadã para dezembro.

A decisão foi tomada após manifestação de diversas organizações, entre elas, o Movimento Estadual da População em Situação de Rua. Robson Mendonça chegou a se acorrentar nos portões da Câmara Municipal em um ato contra o fim do programa. Dias depois, Mendonça se reuniu junto ao presidente da Câmara, o vereador Milton Leite (DEM), que garantiu, em contato com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), a continuidade do Rede Cozinha Cidadã até o final deste ano.

Na mesma reunião, Legislativo e Executivo assumiram a promessa de abrir um espaço de diálogo com a sociedade civil para a formulação de um programa permanente de distribuição de refeições para a população em situação de rua. Na semana passada, diversas entidades encaminharam um ofício ao prefeito solicitando uma reunião sobre o assunto, de acordo com o coordenador da Associação Rede Rua, Alderon Costa, conselheiro do Comitê Pop Rua, órgão da secretaria municipal de Direitos Humanos.

– Encerrar totalmente o Rede Cozinha Cidadã, deixando só para o Bom Prato e para os centros de convivência, é impossível. A população em situação de rua irá morrer de fome, isso é certeza –  alerta Alderon.

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