Sri Lanka: ataques foram obra de militantes islâmicos, avaliam especialistas

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Publicado segunda-feira, 22 de abril de 2019 as 09:56, por: CdB

Uma autoridade asiática graduada de contraterrorismo que não quis ser identificada disse que o ataque provavelmente foi cometido por um grupo com “capacidade operacional significativa e comandantes habilidosos”.

Por Redação, com Reuters – de Jacarta

As detonações coordenadas de bombas em igrejas e hotéis do Sri Lanka têm a marca registrada de grupos militantes, como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda, disseram especialistas nesta segunda-feira, citando o nível de sofisticação dos ataques.

Policial em igreja alvo de ataque no Sri Lanka

Nenhum grupo assumiu a autoria das explosões, muitas delas realizadas por homens-bomba, que mataram 290 pessoas e feriram 500. O atentado foi o mais letal na ilha-nação desde o final de uma guerra civil em 2009.

Especialistas disseram que visar igrejas e hotéis onde turistas estrangeiros se hospedam no Sri Lanka, que sofreu vários ataques de homens-bomba contra autoridades e instalações do governo durante a guerra civil, é um “desdobramento novo e preocupante” no país de maioria budista.

– Estes ataques sincronizados são fora do comum para o Sri Lanka. Comparados com ataques semelhantes no Oriente Médio e no sudeste da Ásia, têm o DNA de ataques realizados pelo Estado Islâmico e a Al Qaeda – disse Alto Labetubun, especialista em antiterrorismo que pesquisou os dois grupos durante uma década.

Uma autoridade asiática graduada de contraterrorismo que não quis ser identificada disse que o ataque provavelmente foi cometido por um grupo com “capacidade operacional significativa e comandantes habilidosos”.

O escritório do presidente do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, disse que relatórios de inteligência indicam que organizações terroristas estrangeiras estão por trás de militantes do Sri Lanka e pediram ajuda de nações estrangeiras.

O primeiro-ministro, Ranil Wickremesinghe, admitiu que o governo já tinha informações sobre ataques possíveis a igrejas envolvendo um grupo islâmico pouco conhecido.

Rohan Gunaratna, especialista em segurança radicado em Cingapura, disse que o grupo do Sri Lanka é a filial do Estado Islâmico no país e que se sabe que os perpetradores têm laços com srilanqueses que viajaram ao Oriente Médio para se unir ao grupo radical na Síria e no Iraque.

Quatro das bombas explodiram quase ao mesmo tempo às 8h45 de domingo (horário local), e outras quatro 20 minutos depois.

Duas outras explosões abalaram a cidade de tarde. Ainda mais tarde, as autoridades encontraram artefatos que não detonaram e uma van repleta de explosivos.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu um alerta de viagem que disse haver a ameaça de novos ataques.

O Sri Lanka testemunhou ataques de homens-bomba frequentes antes de 2009, mas os insurgentes separatistas da minoria étnica tamil visavam sobretudo alvos governamentais. Os ataques de domingo assinalaram uma mudança para igrejas e locais associados a interesses ocidentais, segundo especialistas.

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