Tabagismo passivo é 3ª maior causa de morte evitável do mundo

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Publicado terça-feira, 18 de julho de 2006 as 09:48, por: CdB

A Organização Mundial da Saúde estima que em 2030, 10 milhões de pessoas morrerão anualmente vítimas do cigarro. O mais grave é que sete em cada 10 dessas mortes ocorrerão em países em desenvolvimento. O cigarro é a principal causa do câncer de pulmão e é fator de risco para outros tipos de câncer (laringe, pâncreas, rim, bexiga), doenças cardiovasculares e respiratórias.

Apesar dos estudos científicos demonstrarem claramente a relação entre o consumo dos produtos derivados do tabaco com o desenvolvimento de doenças graves e fatais, a indústria do tabaco continua lançando novos produtos no mercado sob diferentes formas (cigarros, charutos, cachimbos, cigarros de palha, de cravo, de Bali, mascado, etc) e sabores (suaves, baixos teores, menta, chocolate, etc).

As novas opções do mercado aparecem com apelo de serem naturais, conterem menor teor de substâncias tóxicas e serem menos danosas à saúde, mas estão longe de serem naturais ou simples produtos agrícolas, uma vez que são engenhosamente manufaturadas para servirem como dispositivos liberadores de nicotina, droga capaz de causar dependência química, e para mascarar os efeitos irritantes de alguns dos tóxicos da fumaça dos produtos.

Diante desse novo marketing, campanhas anunciando índices alarmantes de mortes relacionadas ao tabagismo não têm conseguido reduzir o número de fumantes, e é por isso que esse artigo tem como objetivo chamar a atenção dos nossos leitores para o fato de que os produtos derivados do tabaco, independentemente de suas formas e disfarces, são igualmente danosos à saúde. E que o fumo passivo pode ser ainda mais prejudicial do que o fumo ativo.
Fumo passivo: cuidado com nossas crianças

O que mais tem assustado as pessoas em relação ao tabagismo, principalmente aqueles que não tem o vício, é saber que mesmo os não-fumantes estão expostos aos riscos causados pelas substâncias tóxicas presentes no tabaco. Adultos e crianças que convivem com fumantes em ambientes fechados, são chamados de ‘fumantes passivos’, pois também inalam a fumaça como se estivessem fumando.

Muitos pais fumantes não têm idéia do risco que seus filhos correm quando fumam no mesmo ambiente que eles. Muitos desconhecem que o ar poluído contém, em média, três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono, e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra pela boca do fumante depois de passar pelo filtro do cigarro. É por isso que o tabagismo passivo é considerado hoje a 3ª maior causa de morte evitável no mundo, subsequente ao tabagismo ativo e ao consumo excessivo de álcool.

Um estudo realizado por pesquisadores do Centro de Oncologia da Universidade de Minnesota-EUA, publicado na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention em 2006, avaliou 144 crianças pequenas, filhas de pais fumantes (mães, pais ou ambos). A pesquisa detectou na urina de 47% das crianças, a presença de uma substância química com potencial de causar câncer, conhecida como NNAL (4- metilnitrosamina)-1-(3-piridil)-1-butanol). Essa substância é produzida no corpo humano a partir de uma outra substância contida no tabaco, a NNK (4-(metilnitrosamina)-1-(3-piridil)-1-butanona). As crianças com níveis detectáveis da substância cancerígena eram de famílias onde se fumavam em média 76 cigarros por semana na presença dos filhos. De acordo com os pesquisadores envolvidos, os dados obtidos apóiam a noção de que a exposição contínua ao fumo passivo pode estar relacionada ao câncer no futuro. Para eles a mensagem é simples: não se deve fumar perto das crianças.