Tacla Duran denuncia esquema de propina em delações ao juiz Moro

Arquivado em: Brasil
Publicado terça-feira, 5 de junho de 2018 as 15:23, por: CdB

Em depoimento, advogado cita seletividade no julgamento de réus da Lava Jato e distribuição de propina. O jornalista Diogo Mainardi teria recebido propina da Odebrecht, mas não foi sequer citado por Moro, diz Tacla Duran.

 

Por Redação – de Brasília

 

O advogado Rodrigo Tacla Duran, que atuou como consultor da Odebrecht e teve seu depoimento à Operação Lava Jato, como testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bloqueado pelo juiz Sérgio Moro, depôs em audiência pública; nesta-terça-feira. Ele denunciou a existência de “um esquema” de propinas, conduzido por um advogado, amigo do juiz Moro.

O advogado Tacla Duran acusa, frontalmente, o juiz Sérgio Moro
O advogado Tacla Duran acusa, frontalmente, o juiz Sérgio Moro

Duran falou à Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da Câmara dos Deputados. O advogado, que vive na Espanha, falou por meio de videoconferência. O advogado apresentou informações sobre os bastidores da Operação Lava Jato. Ele relacionou o pagamento de propinas em troca de “melhorias” em delações premiadas negociadas pela Justiça Federal, em Curitiba.

— Durán possui diversas informações relevantes sobre a Lava Jato e, por isso, é ouvido agora nas instâncias adequadas e responsáveis pelo processo. Porém, por causa de diversas negativas injustificadas, teve violado o direito ao devido processo legal; além da garantia ao contraditório e da ampla defesa — disse o deputado Wadih Damous (PT-RJ). O parlamentar é o autor do requerimento para a Comissão ouvir o advogado em audiência pública.

Preso político

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou que Duran prestasse depoimento no âmbito do incidente de falsidade de documentos por parte da Odebrecht, no contexto da Lava Jato. Para o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), trata-se de mais um absurdo autoritarismo de Moro contra Lula.

— É um processo extremamente importante para o país, pois envolve um ex-presidente da República que lidera todas as pesquisas eleitorais e foi condenado como preso político, pois não há nenhuma prova nos processos que justifiquem sua condenação — afirmou

Histórico


Em dois depoimentos, um à CPI da JBS e outro à defesa do ex-presidente Lula, Rodrigo Tacla Duran mostrou documentos que não conferem com os que teriam sido obtidos no sistema eletrônico de contabilidade da Odebrecht. Portanto, colocou em xeque a veracidade de provas apresentadas pela Odebrecht a partir dos sistemas Drousys e MyWebDay – largamente utilizados pela Lava Jato.

O advogado também acusou o juiz Moro de seletividade nas ações contra pessoas citadas na delação premiada da Odebrecht. Como exemplo, citou o jornalista Diogo Mainardi. Ligado à ultradireita, Mainardi teria recebido pagamentos ilícitos da construtora, com recursos desviados da Petrobras. Em nenhum momento, o apresentador do programa Manhattan Connection, da TV Globo.

Padrinho de Moro


Duran, em seu depoimentos aos deputados, reafirmou que um amigo e padrinho de casamento do juiz, o advogado Carlos Zucolotto (ex-sócio de Rosângela Wolff Moro, esposa de Moro) teria cobrado mais de US$ 5 milhões “por fora” para “melhorar” o seu acordo de delação com os procuradores da Lava Jato, liderados por Deltan Dallagnol. Duran detalhou uma série de irregularidades que envolvem procedimentos adotados por procuradores, juízes, empresas e delatores na Lava Jato.

Em novembro de 2016, Duran teve a prisão preventiva decretada pelo juiz federal Sérgio Moro, foi preso na Espanha, mas libertado porque tem dupla cidadania, o que impediu a extradição.

Há seis meses, os deputados Paulo Pimenta; Wadih Damous e Paulo Teixeira (PT-SP) cobraram da Procuradoria-Geral da República (PGR) investigação das denúncias feitas por Tacla Duran. As denúncias são baseadas em farta documentação; que coloca em xeque não apenas a totalidade das delações dos executivos da Odebrecht no âmbito da operação. Questiona, também, todas as denúncias construídas a partir dessas delações e de outros dados coletados a partir de sistemas de informações da empreiteira.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, prometeu tomar providências. Até agora, contudo, nenhuma explicação foi repassada