Taxa de juros volta a subir no cartão, apesar da pandemia que assola o país

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Publicado sexta-feira, 28 de agosto de 2020 as 15:20, por: CdB

Os juros médios do rotativo do cartão de crédito também subiram. A taxa chegou a 312% ao ano, com alta de 9,4 pontos percentuais. No caso do rotativo regular, quando o cliente paga ao menos o valor mínimo, a taxa chegou a 279,2% ao ano, alta de 31,1 pontos percentuais. A taxa do rotativo não regular chegou a 331,7% ao ano.

Por Redação – de Brasília

A taxa de juros no cheque especial e no rotativo do cartão de crédito, na contramão dos seguidos cortes promovidos no Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), atinge níveis ainda mais altos, apesar da crise econômica que assola o país. A taxa do cheque especial chegou a 112,7% ao ano, queda de 0,3 ponto percentual em relação a junho.

As taxas de juros no cheque especial, cobradas no Brasil, estão entre as mais altas do mundo
As taxas de juros no cheque especial, cobradas no Brasil, estão entre as mais altas do mundo

Já os juros médios do rotativo do cartão de crédito também subiram. A taxa chegou a 312% ao ano, com alta de 9,4 pontos percentuais. No caso do rotativo regular, quando o cliente paga ao menos o valor mínimo da fatura, a taxa chegou a 279,2% ao ano, alta de 31,1 pontos percentuais. A taxa do rotativo não regular chegou a 331,7% ao ano, queda de 2,3 pontos percentuais em relação ao mês anterior.

As empresas e famílias, por conseguinte, pagaram taxas de juros um pouco mais baixas em julho, também segundo o BC, ao divulgar as Estatísticas Monetárias e de Crédito. A taxa média de juros para as pessoas físicas no crédito livre chegou a 39,9% ao ano, queda de 1,5 ponto percentual em relação junho. Já a taxa média das empresas ficou em 12,3% ao ano, redução de 0,7 ponto percentual na comparação com o mês anterior.

Taxa média

A taxa do crédito pessoal (não consignado) chegou a 82,3% ao ano, com recuo de 2,7 pontos percentuais em relação a junho. Os juros do crédito consignado caíram 0,6 ponto percentual para 19% ao ano.

Essas taxas são do crédito livre, em que os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes. Já o crédito direcionado tem regras definidas pelo governo, e é destinado, basicamente, aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.

No caso do crédito direcionado, a taxa média para pessoas físicas caiu 0,2 ponto percentual para 7,1% ao ano. Para as empresas, a taxa subiu 0,6 ponto percentual para 7,1% ao ano.

Inadimplência

A inadimplência (considerados atrasos acima de 90 dias) das famílias, no crédito livre, recuou 0,1 ponto percentual para 5,1%. A inadimplência das empresas no crédito livre caiu 0,2 ponto percentual para 1,8%. No crédito direcionado, a inadimplência recuou 0,1 ponto percentual para as famílias, ficando em 1,5%. E para as empresas, permaneceu em 1,9%.

As concessões totais de crédito somaram R$ 341 bilhões em julho. Na série com ajuste sazonal, houve elevação mensal de 9,4%, com variações de 13,3% a empresas e de 5,9% para famílias. No acumulado do ano, comparado ao mesmo período de 2019, as concessões totais cresceram 6%, refletindo a elevação em pessoas jurídicas (15,2%), e a contração em pessoas físicas, de 1,7%.

Saldo

O estoque de todas as operações de crédito do sistema financeiro ficou em R$ 3,666 trilhões em julho, aumento de 1% em relação a junho, com acréscimos de 1,2% na carteira de pessoas jurídicas (saldo de R$ 1,6 trilhão) e de 0,9% em pessoas físicas (R$ 2,1 trilhões).

Em 12 meses, o crescimento da carteira total acelerou de 9,9%, em junho, para 11,3%, em julho, estimulado pelas operações com empresas, que passou de 11,8% para 15%, enquanto as operações com famílias mantiveram elevação de 8,5%.