Tecnologia móvel aproxima rohingyas no exílio das famílias em Mianmar

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Publicado quarta-feira, 17 de janeiro de 2018 as 15:07, por: CdB

Em um escritório no norte de Bangcoc, na Tailândia, Hajee Ismail usa o aplicativo WeChat para falar com um amigo no Estado de Rakhine, no oeste de Mianmar

Por Redação, com EFE – de Rakhine:

A tecnologia móvel tem ajudado membros da minoria muçulmana rohingya no exílio a se comunicar com amigos e familiares em Mianmar, de onde fugiram de uma operação militar de “limpeza étnica”, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).

A tecnologia móvel tem ajudado membros da minoria muçulmana rohingya no exílio a se comunicar com amigos e familiares em Mianmar

Em um escritório no norte de Bangcoc, na Tailândia, Hajee Ismail usa o aplicativo WeChat para falar com um amigo no Estado de Rakhine; no oeste de Mianmar e terra natal desta minoria apátrida. O amigo, um rohingya identificado apenas como Furuk, diz que, por enquanto; a situação está tranquila em Bhutidaung, onde ele mora, perto da fronteira com Bangladesh.

– Ninguém pode se movimentar livremente, só dentro da cidade – disse Hajee à Agência EFE em um escritório com mapas e fotos de onde ele coordenada uma um negócio de distribuição de gelo.

Hajee, que chegou à Tailândia em 1995, também é diretor da Rohingya Peace Network, uma organização ajuda os rohingyas que fogem de Mianmar.

Comunicação era difícil e cara

Antigamente, ele tinha o costume de telefonar de tempos em tempos para amigos e familiares. Mas a comunicação era difícil e cara. Agora, isso é resolvido com a internet e tecnologia móvel. Hajee também utiliza aplicativos de mensagem para falar com o pai, Noor Islaam; um antigo professor universitário de 74 anos que se nega a sair de Bhutidaung; onde mora com duas filhas e um neto, apesar da tensão.

– Meu pai tem medo, mas diz que prefere morrer lá (em Rakhine) – explicou o exilado; que se casou com uma tailandesa e agora tem direito a residência permanente no país.

A tailandesa Puttanee Kangkun, especialista em direitos humanos da ONG Fortify Rights; explica que o celular facilita a comunicação entre os rohingyas e a transmissão de informação para Rakhine.

– Eles usam o WeChat para trocar mensagens e se comunicar com familiares em Myanmar e outros países – contou ela, que tem mais de 10 anos de experiência na área e que lembra a importância de verificar a veracidade das informações transmitidas.

Internet

A Internet teve papel fundamental durante os protestos contra a antiga junta militar de Mianmar, em 2007; quando ativistas e blogueiros conseguiram transmitir pela rede informações e fotos da repressão do Exército nas manifestações. Nos últimos anos, o Facebook se tornou uma ferramenta relevante para milhões de birmaneses; ainda que também uma fonte de desinformação e rumores contra algumas minorias como os próprios rohingyas.

Esta minoria muçulmana, que tem a cidadania e outros direitos negados pelas autoridades birmanesas; foi vítima de uma “limpeza étnica” do Exército nos últimos meses, segundo o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Mais de 650 mil rohingyas fugiram para Bangladesh desde agosto do ano passado; onde muitos refugiados desta minoria acusam soldados birmaneses de estupros, assassinatos e de incendiar as suas casas.

Tanto a Rohingya Peace Network quanto a Fortify Rights afirmam; que a onda de violência provoca o êxodo de rohingyas, como a que aconteceu em 2015.

Naquele ano, a Polícia da Tailândia desarticulou uma rede de tráfico de seres humanos; que controlava os barcos com refugiados que chegavam de Minanmar. Eles prendiam os rohingyas em campos em ambos lados da fronteira malaio-tailandesa, onde eram maltratados e alguns foram assassinados ou morreram pelas condições insalubres.

Nesse caso, os traficantes também se aproveitavam da tecnologia móvel para organizar a sua rede internacional e pressionar os familiares dos reféns; para o pagamento de resgate que em alguns casos chegava a US$ 1.500.

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