Teich deixa o cargo, após ser humilhado por Jair Bolsonaro

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Publicado sexta-feira, 15 de maio de 2020 as 13:06, por: CdB

O ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu demissão do cargo nesta sexta-feira, informou o ministério em nota, menos de um mês após assumir o cargo em 17 de abril em meio à pandemia do novo coronavírus.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

Médico e empresário, o ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu demissão do cargo nesta sexta-feira, dois dias depois da humilhação pública que passou ao não ser consultado sobre as novas regras de isolamento social, determinadas em decreto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A flexibilização para o uso da substância cloroquina, exigida por Bolsonaro, “foi a gota d’água”, afirmou um assessor do Ministério da Saúde à reportagem do Correio do Brasil.

Ministro da Saúde, Nelson Teich
Ministro da Saúde, Nelson Teich

Teich vinha sendo cobrado pelo presidente Jair Bolsonaro a modificar o protocolo do ministério para ampliar a recomendação do uso da cloroquina no tratamento à covid-19, apesar de o ministro ter afirmado que não considera o remédio uma solução e de ter alertado para os efeitos colaterais. Bolsonaro disse, nesta manhã, que o protocolo será mudado, apesar da posição de Teich e da Organização Mundial da Saúde (OMS). A cloroquina não tem comprovação científica de eficácia contra a doença respiratória provocada pelo novo coronavírus e apresenta sérios riscos colaterais em pacientes cardíacos.

Cobrança sobre a cloroquina

Além da cobrança sobre a cloroquina, Teich vinha trabalhando isolado e não foi sequer consultado por Bolsonaro quando o presidente editou decreto nesta semana que ampliou as atividades consideras essenciais para incluir academias e salões de beleza.

– Saiu hoje, foi? – indagou Teich, ao ser avisado pela imprensa na segunda-feira.

Até mesmo em relação a sua principal medida à frente da pasta, passou a encontrar dificuldades. As diretrizes do governo federal para auxiliar Estados e municípios a decidirem sobre as medidas de isolamento social deveriam ter sido detalhadas na quarta-feira, mas a apresentação foi cancelada de última hora depois que os conselhos que reúnem secretários estaduais e municipais de Saúde se manifestaram contra por temerem representar um respaldo ao afrouxamento das medidas de isolamento.

Após a demissão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta por se posicionar publicamente a favor do distanciamento social, contrariando a posição de Bolsonaro, Teich tomou posse dizendo estar alinhado ao presidente, mas recentemente reconheceu a eficácia do distanciamento para conter o avanço da doença e falou inclusive em lockdowns nos locais mais afetados.

Pandemia do coronavírus

Teich havia se ausentado na quinta-feira da entrevista coletiva diária do Ministério da Saúde para tratar da situação da pandemia do coronavírus no país pela terceira vez seguida, em meio às cobranças que vinha sofrendo. De acordo com o Ministério da Saúde, o ministro não participou da entrevista realizada no Palácio do Planalto porque estava reunido com o presidente da República.

O general Eduardo Pazuello, atual secretário-executivo do ministério, assume interinamente a pasta , informou uma fonte próxima.