Temer engana incautos

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Publicado terça-feira, 27 de março de 2018 as 15:00, por: CdB

Depois do fracasso da intervenção federal militar na área de segurança do Rio de Janeiro, o presidente Michel Temer tem a coragem anunciar que Moreira Franco e “intelectuais” do hoje MDB estão preparando uma segunda edicão da chamada ponte para o futuro, que, na verdade, não passa de um tremendo mergulho para o passado.

Por Mário Augusto Jakobskind, do Rio de Janeiro:

Ele dizia que não se candidataria…

Temer, que conta com a mídia comercial para o seu projeto de andar para trás, já aponta para a possibilidade de se apresentar como candidato presidencial em 7 de outubro próximo. Na verdade Temer tenta manobrar esquema para evitar ter de responder na Justiça uma série de denúncias de corrupção que pesam sobre ele quando completar o mandato deixar o governo.

O ocupante do Palácio do Planalto acredita que está lidando com uma população imbecilizada que acompanha o desenrolar dos acontecimentos. Temer é o presidente mais impopular da história brasileira e se cercou de políticos que contam com a impunidade, como Moreira Franco, Eliseu  Padilha e demais, seja no próprio governo ou no Congresso.

Temer, também conhecido como lesa pátria pelo que fez desde que assumiu o governo em 2016 por meio de um golpe parlamentar, midiático e judicial, não passa de uma afronta ao povo brasileiro e ainda por cima se baseia em mentiras para dizer que a economia do Brasil está se recuperando. Não está, até porque as desigualdades sociais se ampliam, fato que é escondido pela mídia comercial, que prefere defender o receituário do chamado mercado.

Como se não bastassem os estragos produzidos pelo projeto ponte para o futuro, Temer anuncia em uma entrevista a preparação da segunda edição desse projeto pernicioso à maioria do povo, mas que é apresentado pela mídia comercial como sendo positivo.

Na maior cara de pau, o lesa pátria tinha anunciado depois do Carnaval intervenção federal militar, que não resistiu mais do que um mês de vigência para enganar incautos Mas Temer não está nem aí em termos de reconhecer o fracasso. Conta com alguns pingados da classe media que acreditam que os militares responsáveis agora pelo setor de segurança dariam conta do grave problema que aflige o Estado do  Rio de Janeiro.

O ilusionismo de Temer chega ao delírio de admitir que poderá ser candidato em 7 de outubro, mas como o fatos falam bem mais alto, analistas independentes já chegaram a conclusão que o anúncio não passa de uma estratégia de tentar evitar ser investigado e julgado pelas acusações de corrupção que pesam sobre ele e que por duas vezes  a base aliada na Câmara dos Deputados impediu que um investigação fosse feita pelo Supremo Tribunal Federal.

Temer certamente pode estar querendo barganhar o espaço do seu partido para algum candidato próximo de seu receituário em troca da impunidade.

É essa a realidade, que, por mais que queira o lesa pátria Temer, não pode ser escondida do povo brasileiro. Teoricamente o mandato de Temer termina a 31 de dezembro próximo e aí começa uma outra história, não só para o ocupante indevido como colaboradores do gênero Moreira Franco e Eliseu Padilha, além de outros como Aloísio Nunes Ferreira e demais integrantes da equipe governamental e da base aliada no Congresso.

Mas Temer está se virando para evitar que isso aconteça, sendo o anúncio da candidatura presidencial uma forma de tentar algum acordo para evitar mais uma vez ser investigado ou julgado pela justiça de primeira instância que conseguiria com algum tipo de acordo para se tornar ministro e conseguir foro privilegiado. Acordos dessa natureza são comuns ao longo da história política de Michel Temer.

Mário Augusto Jakobskind, professor, jornalista, escritor e Coordenador de História do IDEA, Programa de TV, transmitido pela Unitevê, Canal Universitário de Niterói, Universidade Federal Fluminense (UFF).
Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.
 

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