Para Temer, Lula deve ser derrotado nas eleições, ‘para pacificar o país’

Arquivado em: Brasil, Últimas Notícias
Publicado segunda-feira, 29 de janeiro de 2018 as 15:58, por: CdB

Presidente de facto, Temer tem concedido entrevistas a torto e a direito. Chegou a ‘subornar’ Silvio Santos com uma nota de R$ 50, pela defesa do apresentador à reforma da Previdência.

 

Por Redação – de São Paulo

 

Presidente de facto, Michel Temer afirmou nesta segunda-feira, em entrevista à rádio Bandeirantes, que gostaria que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputasse as eleições de outubro e fosse derrotado no voto, alegando que uma derrota do petista nas urnas “pacificaria” o país. Trata-se de mais uma das polêmicas entrevistas que o emedebista vem concedendo, a torto e a direito, nos últimos dias.

No programa de Silvio Santos, Temer deu uma nota de R$ 50 para pagar por serviços prestados
No programa de Silvio Santos, Temer deu uma nota de R$ 50 para pagar por serviços prestados

Para Temer, o fato de Lula provavelmente ficar fora das eleições por ter sido condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro “tensiona” o país.
Temer afirmou, ainda, que está satisfeito com o que tem feito em seu governo; mas que deseja ter um candidato para defender o seu legado nas eleições de outubro.

Suborno

Na véspera, em mais uma clara tentativa do o governo tentar dourar a pílula da reforma da Previdência, Temer participou do Programa Silvio Santos, no SBT, que foi ao ar neste domingo. Em um arremedo de piada, Temer encerrou sua participação no programa oferecendo ao milionário apresentador uma nota de R$ 50. O ato sugeriu um suborno a Silvio Santos, pela defesa enfática à aprovação da reforma previdenciária. Sem graça, Temer justificou o pagamento aos ‘aviõezinhos’ de dinheiro que o apresentador costuma distribuir às ‘colegas de trabalho’.

Nas redes sociais, internautas comentam que o gesto foi exatamente o que pareceu: uma “tentativa de suborno”. A paródia dos R$ 50 tambem remeteu à liberação de emendas para parlamentares; em troca dos votos no Congresso que o livraram, por enquanto, do processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Temer foi denunciado, duas vezes, pela Procuradoria Geral da República (PGR), por corrupção e formação de quadrilha.

Zélia Cardoso

Na abertura do programa, as dançarinas dançaram Apertar o cinto, de Bezerra da Silva. O samba denuncia a condição precária de vida dos mais pobres. Silvio Santos comentou que a obra, composta há cerca de 30 anos, permanece atual. A letra diz “apertar o cinto pra onde? Se já não tem mais lugar/ estou com a barriga nas costas, meu Deus, eu nem sei onde vou parar”.

Silvio Santos também comparou a reforma da Previdência ao confisco da poupança no governo de Fernando Collor, em 1990; decretado pela então ministra da Fazenda Zélia Cardoso. Fez um paralelo, ainda, à criação da URV, um momento transitório antes da implantação do plano Real, em 1994. Para dirimir quaisquer dúvidas, o apresentador chamou ao palco o presidente de facto.

História

Silvio Santos entrou no assunto perguntando se é verdade que o país vai quebrar em três anos sem a reforma da Previdência. Temer assentiu e disse que, dentro de três a quatro anos, o Brasil poderia virar uma Grécia. Ou uma Espanha. Países que estão com graves problemas financeiros ligados à dívida previdenciária.

Silvio Santos, então, fez o que havia combinado e saiu em defesa dos argumentos do emedebista. Aproveitou para contar a história de que está vivendo mais do que seus familiares, que morreram antes dos 80 anos. Trata-se de um dos argumentos usados para justificar a reforma.

Temer, para encerrar, disse ainda que o apoio da sociedade à reforma iria sensibilizar o Congresso para aprová-la.

— Se a vontade popular compreender isso, os deputados vão lá e depositam seu voto favoravelmente, portanto, ajudam o país — concluiu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *