Temperatura da Terra permanece em alta, revela documento sobre o clima

Arquivado em: Comércio, Destaque do Dia, Energia, Indústria, Meio Ambiente, Natureza, Serviços, Últimas Notícias
Publicado quarta-feira, 2 de dezembro de 2020 as 14:50, por: CdB

“A temperatura média global em 2020 deve ficar em cerca de 1,2°C acima do nível pré-industrial (1850-1900). Há pelo menos uma chance em cinco de exceder temporariamente 1,5°C até 2024”, afirmou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, em comunicado distribuído à imprensa, nesta manhã.

Por Redação, com agências internacionais – de Genebra

O ano de 2020 tende a terminar como um dos mais três quentes do registro histórico. A década inteira, de 2011 a 2020, tende a passar como a mais quente desde que a temperatura começou a ser medida, no fim do século XIX. A estimativa é da Organização Meteorológica Mundial (OMM), em relatório construído com base na situação observada entre janeiro e outubro deste ano. O documento, sob o título Estado do Clima Global em 2020, foi divulgado nesta quarta-feira.

Os efeitos climáticos têm sido cada vez mais graves, nas regiões geladas do planeta
Os efeitos climáticos têm sido cada vez mais graves, nas regiões geladas do planeta

“A temperatura média global em 2020 deve ficar em cerca de 1,2°C acima do nível pré-industrial (1850-1900). Há pelo menos uma chance em cinco de exceder temporariamente 1,5°C até 2024”, afirmou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, em comunicado distribuído à imprensa, nesta manhã. Conter o aquecimento do planeta em 1,5°C até o fim do século é o objetivo mais ousado do Acordo de Paris, estabelecido em 2015, mas parece estar cada vez mais longe de ser alcançado.

Embora as medidas de lockdown adotadas em vários países neste ano por causa da pandemia de covid-19 tenham paralisado a economia global, como um todo, a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, que provocam o aquecimento do planeta, continua extremamente alta, segundo informou a OMM, na semana passada.

Mais esforços

O Acordo de Paris completa cinco anos, no próximo dia 12, embora os compromissos que quase 200 países do mundo acordaram para reduzir suas emissões sejam negligenciados e deixem o planeta mais perto de um ponto sem volta.

“Mais esforços são necessários”, escreveu Taalas.

O ano mais quente até agora, o de 2016, segundo o executivo, coincidiu também com a forte ocorrência do fenômeno El Niño, que aquece as águas do Pacífico e colaboram com o aumento da temperatura do planeta. Mas em 2020 está em vigor um fenômeno contrário, um La Niña, que tem um efeito de esfriamento. Ainda assim, a temperatura média da Terra voltou a subir.

“Não foi suficiente para colocar um freio no aquecimento deste ano. Este ano já mostrou recordes de calor comparáveis aos de 2016”, acrescentou.

Pantanal

Continentes inteiros sofreram ao longo do ano com ondas de calor extremo, queimadas devastadoras na Austrália, na Sibéria, na costa oeste dos Estados Unidos e na América do Sul. No Pantanal, os incêndios neste ano foram recordes desde o início das medições, em 1998, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), piorados em parte pela seca intensa e pelas altas temperaturas. Cidades do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul e de São Paulo bateram recordes de temperatura neste ano. A cidade de São Paulo teve a segunda maior temperatura da sua história.

Segundo o relatório, a temperatura do oceano está em níveis recordes e mais de 80% dos mares do planeta experimentaram uma onda de calor marinha em algum momento de 2020, impactando de forma generalizada os ecossistemas marinhos que já sofrem com águas mais ácidas devido à absorção de dióxido de carbono (CO2). “O aquecimento dos oceanos colaborou com a ocorrência de um número recorde de furacões no Atlântico”, conclui o documento.