Tentativa para ‘agenda positiva’ de Bolsonaro sangra cofres públicos

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Publicado terça-feira, 28 de setembro de 2021 as 14:52, por: CdB

Para marcar a tônica desses mil dias de governo, a pesquisador Denise Mantovani resgata declarações de Bolsonaro, em 2019, durante jantar na embaixada do Brasil em Washington. Na ocasião, em companhia do astrólogo Olavo de Carvalho e do ideólogo da extrema-direita norte-americano Steve Bannon, Bolsonaro afirmou que sua missão seria “descontruir” e “desfazer muita coisa”.

Por Redação, com RBA – de Brasília, São Paulo e Teixeira de Freitas (BA)

Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro, juntamente com seus ministros, deve realizar uma série de inaugurações de obras para marcar os mil dias do seu governo. Em um dos eventos programados para o município de Teixeira de Freitas, no interior da Bahia, o custo de locomoção de sua comitiva, aliado aos gastos com a produção publicitária para a divulgação da atividade, elevará o valor aplicado à obra em cerca de R$ 1,5 milhão, segundo cálculo de especialista no setor.

Bolsonaro em Teixeira de Freitas
Bolsonaro, na tentativa de resgatar o prestígio junto aos eleitores, gasta dinheiro público em eventos políticos

Esta é mais uma tentativa de construir uma “agenda positiva” e reduzir a queda de popularidade, evidente nas últimas pesquisas. De acordo com a pós-doutora em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB), pesquisadora no campo de Mídia, Política e Gênero, Denise Mantovani, no entanto, a maioria da população não tem o que comemorar.

Mantovani avaliou, em entrevista à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA), nesta terça-feira, que apenas os grandes grupos financeiros e empresariais registraram ganhos nesse período. O restante da população estaria à mercê de um governo de destruição nas mais diversas áreas. São esses grupos, somados a oligarquias regionais representadas no chamado ‘Centrão’, que sustentam Bolsonaro no poder, que também se apoia numa reduzida fração do eleitorado mais radical.

Mil dias

Ainda assim, essa mesma elite busca uma alternativa com a chamada “terceira via”. Essa estratégia baseia-se numa “falsa simetria” entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, Bolsonaro ultrapassa os limites do regime democrático. Caso essa alternativa não se viabilize, Denise acredita que a elite deve permanecer ao lado do atual presidente nas próximas eleições.

— Nesses mil dias, quem pode comemorar são os grandes grupos econômicos, grandes empresários, aquele 1% que de fato é o grupo social e econômico que mais enriqueceu nesse período. Hoje, detém cerca de 50% da renda e produção da riqueza no Brasil, enquanto todo o restante da população está perdendo — afirmou a pesquisadora.

‘Desconstruir’

Para marcar a tônica desses mil dias de governo, Denise resgata declarações de Bolsonaro, em 2019, durante jantar na embaixada do Brasil em Washington. Na ocasião, em companhia do astrólogo Olavo de Carvalho e do ideólogo da extrema-direita norte-americano Steve Bannon, Bolsonaro afirmou que sua missão seria “descontruir” e “desfazer muita coisa”.

— Certamente é um governante que está preocupado em usar do poder para se beneficiar. E não tem lidado com as questões ligadas à governança pública. A sociedade, a população como um todo, segue sem governo. Então não tem o que mostrar. De fato, o que vemos é apenas um governo da destruição, como ele próprio disse naquele famoso jantar nos Estados Unidos. É isso que ele tem feito. Não tem outra coisa para mostrar — acrescentou.

Dentre os elementos que compõem esse cenário de destruição, segundo a pesquisadora, estão a alta do desemprego e da inflação, a devastação ambiental, o desmantelamento das políticas de educação e pesquisa, além da série de crimes cometidos durante a pandemia. Para ela, em vez de governar, a principal preocupação de Bolsonaro é evitar a sua prisão, bem como a dos próprios filhos.

Falsa simetria

Para a pesquisadora, os eventuais candidatos da chamada terceira via aparecem como alternativa ao próprio Bolsonaro. Contudo, esse esforço em achar um candidato é sustentado por essa mesma elite que se beneficiou com a destruição provocada pelo governo atual. Ainda assim, além de incomodados com os “maus modos” do presidente, temem que ele não consiga fazer frente a Lula, favorito nas eleições de 2022.

— A Terceira Via tenta se constituir a partir dessa ideia binária, de que eu não sou nem A nem B. Quando, no fundo, essa terceira via representa a possível substituição de Bolsonaro. Então essas ideias elitistas – de manutenção de uma sociedade onde a distribuição não está acontecendo, onde existe a destruição do patrimônio público, a venda de estatais e privatização de sistemas e serviços essenciais – continuam ali, postas na terceira via. É a mesma elite liberal que está tentado ocupar esse espaço — concluiu.

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