Na tentativa de se defender, Flávio Bolsonaro ataca juiz linha-dura

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Publicado sexta-feira, 20 de dezembro de 2019 as 15:29, por: CdB

O parlamentar também vinculou o magistrado ao governador Wilson Witzel (PSC), adversário político da família e cogitou que a filha de Itabaiana estaria empregada na Secretaria Estadual da Casa Civil e pouco aparece para trabalhar.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Na tentativa de se defender, nas investigações do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), o senador Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo, na noite passada, em suas redes sociais, no qual criticou a atuação do juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, responsável pelo caso. O filho ’01’ de Bolsonaro questionou o fato de os promotores não terem denunciado ninguém após dois anos de apuração e disse que o magistrado “virou motivo de chacota no Judiciário” fluminense.

O juiz Itabaiana é considerado workaholic e linha-dura, entre seus pares no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro
O juiz Itabaiana é considerado workaholic e linha-dura, entre seus pares no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro

O parlamentar também vinculou o magistrado ao governador Wilson Witzel (PSC), adversário político da família e cogitou que a filha de Itabaiana estaria empregada na Secretaria Estadual da Casa Civil e pouco aparece para trabalhar. Em nota, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) disse que Itabaiana “assegura que suas decisões sempre foram devidamente fundamentadas, sendo por isso respeitado por magistrados, promotores, defensores, advogados e as partes envolvidas nas causas”.

O senador afirmou, também, que é comum o uso de dinheiro vivo em compras em lojas como a sua, uma franquia da Kopenhagen.

— Se eu quisesse lavar dinheiro eu abriria uma franquia, que tem o controle externo da franqueadora, que tem auditoria? Abriria uma outra atividade qualquer que não deveria satisfação a ninguém — retrucou.

Propinas

Mas Kopenhagen se apressou em desmentir o senador. Em nota, a empresa afirma que não realiza “nenhum tipo de auditoria fiscal com seus franqueados, que são pessoas jurídicas totalmente independentes da franqueadora”.

Sem mais argumentos e diante uma condição jurídica insólita, Flávio Bolsonaro está diante de um magistrado com tarimba comprovada em casos complicados. Itabaiana é o representante da quinta geração de uma família de magistrados considerados linha-dura. O juiz ganhou notoriedade ao analisar as movimentações atípicas de dinheiro do senador, eleito com a bandeira de combater a corrupção.

Ironicamente, as suspeitas contra o filho do presidente surgiram das investigações dos esquemas de propinas do ex-governador Sérgio Cabral, em um desdobramento regional da Operação Lava Jato. Em meio a outras transações atípicas de parlamentares, foram descobertas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) as entradas e saídas de R$ 1,2 milhão das contas bancárias do ex-policial militar Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e amigo da família Bolsonaro, enquanto o senador teve 48 depósitos suspeitos, totalizando R$ 96 mil, em suas contas bancárias.

Queiroz já admitiu que recebia de volta parte dos salários dos funcionários lotados no gabinete de Flávio e os promotores buscam mais provas para esclarecer se o senador foi beneficiado pelo desvio de dinheiro público.

Workaholic

Trineto do desembargador José Joaquim Itabaiana de Oliveira, bisneto do desembargador Arthur Vasco Itabaiana de Oliveira, neto do desembargador Aires Itabaiana de Oliveira e filho do desembargador Clarindo de Brito Nicolau, Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau trabalhou como engenheiro elétrico antes de entrar na magistratura, em 1995. Desde então, ganhou fama de conservador, rigoroso e workaholic entre colegas do TJ-RJ.

Isso se deve não apenas à sua posição, durante as audiências, mas às penas aplicadas em casos como as condenações de quadrilhas de traficantes da Ladeira dos Tabajaras, favela da Zona Sul do Rio; e de operadores na Operação Lava Jato, como o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada e o lobista João Augusto Henriques.

— Ele é um juiz bastante duro, mas é honesto com as próprias convicções — afirmou a jornalistas o advogado Alexandre Lopes de Oliveira, que defendeu réus da Operação Lava Jato em processos julgados por Itabaiana.

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