Terreno movediço

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Publicado sexta-feira, 4 de junho de 2021 as 09:00, por: CdB

 

As coisas são mais complexas do que parecem. O país afunda em múltipla crise, é verdade; mas nem tudo o que reluz é ouro… Vejamos a situação do presidente Bolsonaro e do seu governo. Isolamento e descrença são as palavras que melhor os caracterizam.

Por Luciano Siqueira – de Brasília

As coisas são mais complexas do que parecem. O país afunda em múltipla crise, é verdade; mas nem tudo o que reluz é ouro…

O país afunda em múltipla crise

Vejamos a situação do presidente Bolsonaro e do seu governo. Isolamento e descrença são as palavras que melhor os caracterizam.

Mas daí à superação da ordem vigente há muitos passos a dar, variados obstáculos a vencer.

O terreno é movediço.

Caso do crescimento de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, na comparação com os últimos três meses de 2020, segundo anuncia o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Quase nada a comemorar, pois além de ser uma recuperação (se assim podemos dizer) lenta e insuficiente, convive com índices os mais graves de empobrecimento da população.

Assim mesmo, a grande mídia que em sua quase totalidade combate o governo cotidianamente e tem, de fato, contribuído para desmarcar o presidente e enfraquece-lo politicamente, se apressa em saudar uma suposta “retomada” das atividades econômicas…

Agenda econômica

É que a agenda econômica, mesmo conduzida de modo tresloucado pelo ministro Paulo Guedes e equipe, ainda tem o apoio de parcela majoritária das elites dominantes, teimosas em expectativas acerca do receituário neoliberal tupiniquim.

E há um rebatimento sobre grupos políticos e sociais ativos, que se agarram no esquálido pibinho para reforçar seus desejos de uma alternativa à Bolsonaro que possa surgir de forças situadas ao centro.

Querem evitar que à esquerda se concretize uma candidatura capaz de alcançar amplitude e unidade o suficiente para vencer o pleito vindouro.

Daí a imperiosa necessidade de se impulsionar a luta imediata pela vacina, pelo trabalho e contra Bolsonaro com o fator novo que são as manifestações de rua, com todos os cuidados preventivos da covid-19, como aconteceram no último sábado.

Os atos públicos ocorridos em mais de duzentas cidades grandes e médias do país até surpreenderam pela sua dimensão. E repercutiram no amplo panelaço de ontem à noite, quando do pronunciamento do presidente em rede de TV e rádio.

Mais: avançar no debate de alternativas à crise para que se produza uma plataforma de unidade capaz de galvanizar as expectativas das maiorias insatisfeitas.

O PCdoB tem um papel relevante a cumprir, seja na defesa da correta tese da frente ampla, seja na apresentação de propostas de mudança de rumo pós-governo genocida.

 

Luciano Siqueira, é Médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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