Thunberg critica comportamento de políticos e empresários na luta contra mudança climática

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Publicado quarta-feira, 11 de dezembro de 2019 as 10:47, por: CdB

Thunberg disse que muitas promessas para equilibrar as emissões desse modo excluem o impacto do transporte marítimo, da aviação e do comércio internacional, e pediu uma ação mais rápida.

Por Redação, com Reuters e DW – de Madri/Nova York

A jovem ativista Greta Thunberg acusou nesta quarta-feira líderes políticos e empresariais de preferirem cuidar de suas próprias imagens a tomar medidas agressivas na luta contra a mudança climática.

Ativista do clima Greta Thunberg discursa na COP25, em Madri
Ativista do clima Greta Thunberg discursa na COP25, em Madri

– Parece que isso se tornou algum tipo de oportunidade para os países negociarem brechas e evitarem ampliar sua ambição – disse a sueca de 16 anos em uma cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima em Madri, sob aplausos.

– Eu ainda acredito que o maior perigo não é a inatividade, o real perigo é quando políticos e CEOs estão fazendo parecer que uma movimentação real está ocorrendo quando, na verdade, quase nada é feito além de contabilidade inteligente e relações públicas criativas – acrescentou.

Acordo de Paris

Em Madri, líderes políticos estão lidando com pendências na implementação do Acordo de Paris de 2015, que visa evitar o aquecimento global catastrófico, incluindo a árdua questão da contabilização das emissões de carbono.

Muitas nações e empresas confiam na ideia dos mercados de carbono para cumprir as metas de redução da emissão de gases de efeito estufa e ajudar a limitar o aumento da temperatura entre 1,5ºC e 2ºC acima dos níveis pré-industriais.

Defensores dos mercados de carbono afirmam que podem servir para reduzir o custo de redução de emissões e permitir que os países se comprometam com metas mais ambiciosas. Outros os veem como uma maneira de impedir ações mais agressivas para reduzir as emissões.

Promessas

Thunberg disse que muitas promessas para equilibrar as emissões desse modo excluem o impacto do transporte marítimo, da aviação e do comércio internacional, e pediu uma ação mais rápida.

– Zero em 2050 significa nada se a alta emissão continuar mesmo por poucos anos – afirmou

– Para ficar abaixo de 1,5ºC, precisamos manter o carbono no piso – afirmou Thunberg, que se tornou um símbolo da indignação da juventude com as gerações mais velhas e as classes políticas por prolongarem a crise ambiental.

Greta é eleita Pessoa do Ano pela “Time”

A ativista sueca Greta Thunberg, que virou o rosto de um movimento global entre jovens por uma política climática mais assertiva, foi anunciada nesta quarta-feira como a Pessoa do Ano de 2019 pela revista Time.

Saindo de uma conferência climática da ONU em Madri, Thunberg, que nesta semana foi chamada de “pirralha” por Jair Bolsonaro e lhe respondeu de forma irônica no Twitter, disse que dedica o prêmio a todos os jovens ativistas.

A sueca de 16 anos afirmou ainda estar esperançosa de que a mensagem que ela e outros ativistas tentam transmitir, de que os governos precisam aumentar drasticamente os seus esforços para combater as mudanças climáticas, está finalmente sendo transmitida.

“Por fazer soar o alarme sobre a relação predatória da humanidade com a única casa que temos, por trazer para um mundo fragmentado uma voz que transcende fundos e fronteiras, por mostrar a todos nós o que pode parecer quando uma nova geração assume a liderança”, justificou a revista.

Uma foto da ativista é a capa da mais recente edição da Time e está acompanhada da manchete “O poder da juventude”.

“A partir de agosto de 2018, ela passou dias acampando diante do Parlamento sueco, com um cartaz em que se lia: ‘Greve escolar pelo clima'”, relembra a publicação norte-americana.

Time recorda que a adolescente já conversou com chefes de Estado na ONU, se reuniu com o papa, discutiu com o presidente dos Estados Unidos e inspirou 4 milhões de pessoas, que se reuniram em uma paralisação global pelo clima em 20 de setembro.

“Esta foi a maior manifestação pelo clima na história da humanidade”, destacou a revista.

Greta, segundo a Time, passou de uma militante solitária com um cartaz pintado com as mãos, para uma pessoa que levou alento aos habitantes de mais de 150 países, que foram às ruas em defesa do planeta.

“As mudanças significativas raramente ocorrem sem a força mobilizadora de indivíduos influentes e, em 2019, a crise existencial da Terra encontrou uma dessas pessoas em Greta Thunberg”, diz a publicação.

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