Tirem as mãos dos Correios

Arquivado em: Opinião, Últimas Notícias
Publicado sexta-feira, 6 de agosto de 2021 as 10:38, por: CdB

 

Chamou atenção na última segunda-feira, 02 de agosto, o pronunciamento em cadeia nacional de Rádio e TV, do ministro das Comunicações, o deputado potiguar Fábio Faria. Na semana em que o Congresso Nacional retomou seus trabalhos pós recesso, o governo federal não usou o expediente para se solidarizar com os familiares das mais de 550 mil vidas perdidas.

Por Wadson Ribeiro – de Brasília

Chamou atenção na última segunda-feira, 02 de agosto, o pronunciamento em cadeia nacional de Rádio e TV, do ministro das Comunicações, o deputado potiguar Fábio Faria. Na semana em que o Congresso Nacional retomou seus trabalhos pós recesso, o governo federal não usou o expediente para se solidarizar com os familiares das mais de 550 mil vidas perdidas, nem tampouco, para felicitar a delegação olímpica brasileira, que pode fazer história nesses jogos. Ao contrário, o governo Bolsonaro usou os veículos de comunicação para difundir mentiras e defender que os Correios sejam entregues à iniciativa privada.

Os Correios, além de serem um empresa lucrativa, cumprem importante papel social, chegando aos lugares mais afastados

Bolsonaro tenta mobilizar sua base no Congresso para aprovar a toque de caixa o PL 591/2021 que se refere à privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos sem nenhuma justificativa plausível, exceto a sanha desse governo em transferir para a iniciativa privada uma empresa pública altamente eficiente e equilibrada financeiramente. Com 358 anos de história, os Correios obtiveram em 2020 R$ 1,53 bilhões de lucro e, ao contrário do que afirmou o ministro, realiza maciços investimentos em desenvolvimento de novas tecnologias e modernização, mesmo tendo que transferir à União volumes bilionários referentes a pagamentos de juros sobre capital próprio e dividendos.

Além de aumentar os ganhos a cada ano desde 2017, a empresa desenvolve um importante papel social, fazendo chegar aos lugares mais remotos e pobres do Brasil serviços que são essenciais. A logística desenvolvida em três séculos, presente em mais de 5500 municípios, com mais de 100 mil trabalhadores, é fundamental em momentos como agora, em que o país precisa fazer a vacina chegar nos locais mais distantes, ou mesmo, em muitas localidades onde não há agências bancárias e o banco postal é o único meio de acesso aos serviços bancários. Apesar de uma empresa saneada e lucrativa, os Correios têm forte compromisso social e não podem ser submetidos apenas à lógica mercadológica.

Por entender a importância estratégica dos serviços postais para o Brasil, é que a Constituição Federal, em seu artigo 21, estabeleceu que cabe à União manter os serviços postais, aliás, mais de 80% dos países mantêm esses serviços sob a responsabilidade do Estado.

As privatizações

As privatizações que Bolsonaro quer levar adiante fazem parte de uma visão submissa e dependente, sem qualquer projeto soberano de país. A Vale do Rio Doce, a título de exemplo, foi privatizada por pouco mais de R$ 3,5 bilhões e obteve apenas no primeiro trimestre deste ano um lucro líquido de R$ 40 bilhões. Recursos que poderiam estar a serviço da educação, da saúde e do combate à pobreza, foram para o bolso dos acionistas privados. No caso da Vale, além dessa entrega, nunca se viu tantas catástrofes ambientais e mortes provocadas pelo total descontrole do Estado. Nos Correios, as consequências serão sentidas por milhões de brasileiros que não conseguirão acessar serviços hoje ofertados, aprofundando ainda mais as desigualdades sociais do país.

No momento atual, fruto da pandemia, há um aumento da demanda pelos serviços de entrega, proporcional ao crescimento do comércio eletrônico. Isso faz dos Correios um negócio altamente lucrativo. Enquanto o mundo abandonou a ideia de um Estado Mínimo e a pandemia mostrou a necessidade de políticas públicas e da interferência do poder público para assegurar renda, emprego e acesso à saúde, Bolsonaro, na contramão da história, tenta fazer o contrário e entregar todo o patrimônio público brasileiro, comprometendo, inclusive, a segurança nacional. Precisamos das empresas públicas como base para um novo projeto nacional de desenvolvimento. O Estado não pode ser mínimo para os trabalhadores e vultuoso para os interesses do capital e do sistema financeiro.

Wadson Ribeiro, é presidente do PCdoB-MG, foi presidente da UNE, da UJS e secretário de Estado.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

code