Tiros são disparados contra Acampamento Marielle Vive, em São Paulo

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Publicado sexta-feira, 19 de agosto de 2022 as 13:59, por: CdB

De acordo com o MST, no momento dos tiros havia várias pessoas no local, mas todos se protegeram e ninguém se feriu. “Se tivesse alguém mais próximo da portaria certamente teria sido alvejado, os tiros foram próximos e danificaram a porteira do acampamento”, relata nota do movimento.

Por Redação, com Brasil de Fato – de Brasília

Por volta das 23h50 de quarta-feira, segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), um homem fez disparos de arma de fogo de dentro de um carro na direção da portaria do Acampamento Marielle Vive. A ocupação, onde vivem cerca de 450 famílias, fica em Valinhos, município do interior paulista conhecido por seus condomínios de luxo.

Em 2019, o acampado Luis Ferreira foi atropelado e morto durante um ato, na mesma estrada de onde o atirador fez os disparos desta vez

De acordo com o MST, no momento dos tiros havia várias pessoas no local, mas todos se protegeram e ninguém se feriu. “Se tivesse alguém mais próximo da portaria certamente teria sido alvejado, os tiros foram próximos e danificaram a porteira do acampamento”, relata nota do movimento.

Gerson Oliveira, da coordenação estadual do MST em São Paulo, classifica a situação como “bastante grave” e cita que outros tipos de intimidações contra os acampados, como xingamentos, se tornaram mais frequentes.

– Estamos avaliando que a situação está bastante crítica e seguirá daqui para frente. Porque reflete o início oficial da disputa das eleições. Cada vez que saem as pesquisas, principalmente apontando uma possibilidade de vitória de Lula no primeiro turno, se intensificam esses ataques – descreve.

– Estamos na mira dos fascistas, dos bolsonaristas, dessas pessoas que nos veem com incômodo, que nos veem como quem eles precisam eliminar nessa disputa – diz Oliveira. “E que agem nas sombras”, complementa.

Constância de atentados

Essa é a terceira vez que o Acampamento sobre um ataque com o mesmo padrão. Em 10 de abril, em menos de 24 horas houve dois ataques assim: disparos feitos de dentro de um carro contra a portaria do Acampamento. Na ocasião, um foi durante a madrugada, às 3h20, e o outro, às 19h20.

Boletins de ocorrência e até reunião na Delegacia entre os acampados e o secretário de Segurança Pública do município, Osmir Aparecido Cruz, se seguiram aos episódios. No entanto, a descoberta da autoria, da motivação e, principalmente, a não repetição dos atentados, como evidenciam os fatos, não foram alcançadas.

Em nota, o MST destaca que “as autoridades competentes e a Secretaria de Segurança Pública não revelaram a conclusão das investigações sobre esses ataques, sendo que a via pela passam esses atiradores é amplamente monitorada”. A inércia das instâncias estatais, para o movimento, é conivência.

Brasil de Fato perguntou para a prefeitura de Valinhos, sob gestão da capitã da Polícia Militar Lucimara Godoy (PSD), e especificamente para a Secretaria de Segurança Pública e Cidadania qual a posição a respeito da situação e quais providências estão sendo tomadas. Não houve resposta até o fechamento desta matéria.

A Delegacia da Polícia Civil de Valinhos disse não estar sabendo do novo atentado e não ter informações sobre as investigações dos anteriores.

– Deveria ser uma coisa rápida identificar o carro e o condutor que está passando na frente do acampamento e desferindo esses tiros. Já foram entregues cápsulas e uma série de informações para a polícia. Mas não apuram ou não revelam quem são as pessoas cometendo esses crimes – denuncia Gerson Oliveira.

O Acampamento Marielle Vive

A área foi ocupada em 14 de abril de 2018, exatamente um mês depois da execução da vereadora do PSOL cujo nome, em homenagem, batiza também o acampamento. A propriedade, antes ociosa, é reivindicada pela Fazenda Eldorado Empreendimentos Imobiliários.

O despejo dos moradores do Acampamento Marielle Vive, que ali criaram uma escola popular e uma horta agroecológica de mil metros quadrados, é iminente.

As 450 famílias se somam às outras 142.385 que, de acordo com a Campanha Despejo Zero, correm o risco de perder o teto assim que, em 31 de outubro, acabar a vigência da decisão do STF que proíbe as remoções forçadas no país.

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