Tony Blair compara Saddam com Hitler

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Publicado sábado, 1 de março de 2003 as 13:54, por: CdB

Fazendo uma comparação entre Saddam Hussein e Adolf Hitler, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, anunciou que fará pressão para que o Iraque se desarme, “independentemente da posição da América”.

“E se os norte-americanos não estivessem fazendo isso, eu os estaria pressionando também”, declarou Blair, em entrevista ao jornal britânico The Guardian, publicada neste sábado.

“É pior do que vocês possam imaginar”, continuou. “Acredito nisso. E estou verdadeiramente comprometido em tratar disso, independentemente da posição da América”.

Muitos na Grã-Bretanha vêm acusando Blair de se portar como uma marionete do presidente norte-americano, George W. Bush. O premier rejeitou o rótulo.

Blair garantiu que relatou a Bush suas preocupações com as alegadas armas de destruição em massa de Saddam Hussein na primeira vez em que se reuniu com o presidente norte-americano, antes dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Grã-Bretanha, Espanha e Estados Unidos são co-autores de uma nova resolução das Nações Unidas que poderia desengatilhar a guerra contra o Iraque. França, Rússia e China defendem um prazo maior para os inspetores de armas em missão no país do Golfo Pérsico.

Em referência clara aos três países – e também aos 121 membros de seu partido, o Trabalhista, que esta semana votaram, no Parlamento britânico, contra a sua política para o Iraque -, Blair disse que respeita a sinceridade de seus opositores.

Blair, então, lembrou que muitas pessoas tentaram apaziguar o fascismo na década de 1930, a fim de tentar evitar a guerra.

“A maioria das pessoas decentes e bem intencionadas disse que não havia necessidade de confrontar Hitler”, alegou.

“Quando decidiram não confrontar o fascismo, essas pessoas fizeram o que era popular, o fizeram por bons motivos e eram pessoas boas… mas elas tomaram a decisão errada”, concluiu.

Na sexta-feira, durante uma reunião do Partido Trabalhista do País de Gales, Blair sustentou que a deposição de Saddam Hussein livrará o mundo de “um dos regimes mais revoltantes da história”.