Tráfico de órgãos é investigado por CPI em Minas Gerais

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Publicado terça-feira, 25 de novembro de 2003 as 01:57, por: CdB

Um pedido de CPI na Câmara Federal deve revelar a face mais mórbida do crime organizado. Há denúncias formais e que deram origem à formação de uma comissão feito pelo deputado Neucimar Fraga (PL/ES) de tráfico de órgãos no Brasil.

Em todo o mundo, este espúrio comércio movimenta até US$ 13 bilhões e, de acordo com o parlamentar, há indícios desta prática absurda em pelo menos dois Estados: Minas e São Paulo.
 
Em abril deste ano, um grupo de trabalho formado pela Comissão de Segurança da Câmara Federal, recolheu denúncias de tráfico de órgãos cometidos em Varginha e Poços de Caldas, em Minas Gerais, e Taubaté (SP).

A intervenção do crime organizado neste macabro comércio, segundo Fraga, deve-se à enorme demanda que transforma o tráfico de órgãos em uma das mais lucrativas atividades exploradas pelo crime.
 
– Esse é um mercado próspero, pois pessoas milionárias que necessitam de transplante sabem que podem morrer no aguardo da vez nas filas das listas oficiais. A alternativa é apelar para o mercado clandestino, operado pelo crime organizado transnacional – disse o deputado.

Com base em registro e denúncias da imprensa, Fraga cita os valores de órgãos, arbitrados pelas quadrilhas: um coração vale R$ 150 mil, uma córnea, R$ 20 mil, o rim, R$ 10 mil e um fígado é vendido por até R$ 30 mil.
 
Os integrantes do Ministério Público de vários estados investigam o misterioso desaparecimento de crianças, que deixaram o País sob o pretexto de adoção internacional. O deputado informa que há levantamentos oficiais do Governo brasileiro, juntamente com a Interpol, de um mapa da rota do tráfico de órgãos.

Um caso que será apurado pela CPI ocorreu em Varginha (MG). Segundo o deputado Neucimar Fraga, recentemente o Ministério da Saúde pediu à Polícia Federal da cidade a abertura de oito inquéritos contra médicos que, suspeita-se, fizeram transplante de forma irregular.

De acordo com a denúncia, os prontuários dos que tiveram os órgãos retirados não comprovam a ocorrência de morte encefálica, o que gera a suspeita de que houve aceleração das mortes.

Um garoto de 10 anos pode ter sido vítima da máfia, em Poços de Caldas, segundo o pai Paulo Pavese. Ele diz ter autorizado a doação de órgãos do filho, depois de ter sido informado pela equipe médica de que o menino teve morte encefálica, em abril de 2000. Porém, alega ter sido enganado ao afirmar ter documentos que comprovam que o garoto não estava morto no momento do transplante e, portanto, foi assassinado.

Em Taubaté, no interior paulista, os deputados receberam denúncias formalizadas pelo médico Roosevelt Kalume do envolvimento de outros cinco médicos no tráfico de órgãos no Hospital Universitário. O fato ocorreu há 15 anos. Os profissionais foram condenados por crime doloso, mas ainda estão soltos.
 
Um desses médicos também foi acusado do crime no município de Franco da Rocha. Ele venderia órgãos de cadáveres para uso em faculdades. Vários corpos foram exumados na cidade por ordem do delegado Marco Antonio Dario, que constatou a retirada ilegal dos órgãos.