Traições no laranjal de Bolsonaro

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Publicado sexta-feira, 17 de abril de 2020 as 09:45, por: CdB

No laranjal infectado de Bolsonaro, ninguém se entende e só dá traíras. A Folha informa que até os chefões do DEM desprezam Onyx Lorenzoni. “O ministro é chamado de ‘empregado’ do presidente e interlocutores lembram de sua saída da Casa Civil”, quando foi humilhado pelo “capetão”.

Por Altamiro Borges – de São Paulo

A covardia do capacho Onyx ficou visível na entrevista coletiva de terça-feira. “Ele chutou o balde com Mandetta e mostrou que só pensa em refazer sua relação com Bolsonaro. Na semana passada, áudio da CNN foi entendido por políticos como amostra de que Onyx via Bolsonaro fraco e sem pulso”.

No laranjal infectado de Bolsonaro, ninguém se entende e só dá traíras
No laranjal infectado de Bolsonaro, ninguém se entende e só dá traíras

A Folha fustiga: Nos bastidores, além de ser chamado de judas, Onyx Lorenzoni é referido como ‘empregado’ do presidente. Colegas do DEM se disseram perplexos ao ver a declaração por ocorrer menos de dois meses depois do que foi uma humilhação do ministro, quando foi retirado da Casa Civil”.

Outro traíra descarado é o ex-ministro Osmar Terra, aquele do diálogo mafioso com Onyx para derrubar o “amigo” Mandetta. Notinha da revista Época informa que “Osmar Terra enviou áudio para Flávio Bolsonaro, via WhatsApp, em que afirma que a pandemia do coronavírus está ‘desabando’ no Brasil”.

No áudio de oito minutos e 50 segundos que a revista Época teve acesso, o oportunista Osmar Terra ataca o isolamento social e diz que é o momento de “comemorar”. “A epidemia não está caindo, está desabando. Está diminuindo o número de casos novos por dia de uma maneira surpreendente”.

Íntimo da família Bolsonaro

Osmar Terra, que é íntimo da família Bolsonaro e que até chegou a ser cogitado para substituir Mandetta no Ministério da Saúde, critica a “quarentena radical” e garante que a epidemia “está caindo e vai cair em todo o Brasil. Podem escrever isso e me cobrem”. É bom “escrever” para cobrar depois!

Deus castiga-1. Washington Reis (MDB), prefeito de Duque de Caxias, terceira mais populosa cidade do Rio de Janeiro, evitou fechar comércio e igrejas. Em vídeo, pregou: “Duque de Caxias tem a proteção de Deus para escapar da epidemia”. Agora, testou positivo para a covid-19 e está internado!

Deus castiga-2. O fascista Boris Johnson, premiê britânico, desprezou o coronavírus. Infectado, foi parar na UTI. Foi salvo graças ao serviço público de saúde e ao socorro de dois enfermeiros imigrantes. O demagogo chegou ao poder fazendo campanha contra os imigrantes e o Estado

Ao deixar o hospital após uma semana de internação, Boris Johnson elogiou dois enfermeiros que “a cada segundo das noites estavam me assistindo e me cuidando”. O fascista que sataniza os imigrantes agradeceu a Jenny, da Nova Zelândia, e Luis de Portugal. Baita ironia da história!

Jenny e Luis são parte dos 13% dos funcionários do sistema público de saúde britânico (NHS) que vieram do exterior. Um em cada oito é imigrante. Em Londres, a parcela é ainda maior, quase 20%. Em todo o país, são 153 mil imigrantes que trabalham na NHS. Destes, 423 são brasileiros.

Ao deixar o hospital público, o ultraneoliberal Boris Johnson cometeu outra heresia. “É difícil encontrar palavras para expressar a dívida com o NHS (Serviço Nacional de Saúde) por ter salvado minha vida”. O NHS é similar ao SUS brasileiro. De fato, Deus castiga os oportunistas!

Altamiro Borges, é jornalista.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil