Tribunal diz que não pode suprimir acusações contra Taylor

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Publicado terça-feira, 8 de julho de 2003 as 00:28, por: CdB

O Tribunal Especial para os crimes de guerra em Serra Leoa, cuja Promotoria apresentou acusações contra o presidente da Libéria, Charles Taylor, insistiu em que ele seja processado, apesar de domingo ter aceitado deixar o poder e asilar-se na Nigéria.

Um porta-voz do tribunal, Tom Perriello, afirmou que nenhuma nação pode suprimir as acusações contra Charles Taylor, e qualquer um que impeça que seja levado à Justiça terá que responder por suas vítimas na África ocidental.

O presidente nigeriano, Olusegun Obasanjo, viajou nesta segunda à Monróvia, capital da Libéria, para oferecer asilo a Taylor, que aceitou em princípio, embora reiterando como condição para abandonar o poder que seja enviada a seu país uma força multinacional de paz.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, aplaudiu nesta segunda a decisão de Taylor, mas assinalou que “serão exigidas responsabilidades para as grosseiras violações dos direitos humanos e os crimes de guerra”.

O asilo para Taylor na Nigéria foi criticado pelos bispos anglicanos de Serra Leoa, Gâmbia, Libéria e Camarões, em uma reunião em Freetown.

– A ajuda dada por líderes nos Estados da África ocidental para que Taylor não seja julgado pelo Tribunal Especial por seus crimes contra a humanidade não é um bom exemplo para a região – declarou o bispo de Freetown, Olutu Lynch.

As acusações contra Taylor, que o Tribunal Especial, patrocinado pela ONU revelou no dia 4 de julho, são crimes contra a humanidade e de guerra, por causa de sua suposta colaboração com os rebeldes leoneses na guerra civil que terminou há mais de um ano.

O governo de Taylor controla agora só um quarto do território da Libéria, enquanto que os rebeldes mantêm posições nos arredores de Monróvia, após lançar no último mês duas ofensivas nas quais morreram centenas de civis e mais de 200 mil tiveram de abandonar suas casas.

A renúncia de Taylor e sua saída do país são exigidas também pelo presidente dos EUA, George W. Bush, que começa nesta terça, no Senegal, uma viagem por cinco países da África na qual previsivelmente se discutirá a situação na Libéria e uma possível intervenção militar americana.