Com Trump ou Biden, China será pedra no sapato dos EUA, diz Krugman

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Publicado segunda-feira, 28 de setembro de 2020 as 13:14, por: CdB

Sobre a relação dos EUA com a América Latina, o economista Paul Krugman – vencedor do prêmio Nobel – diz não ter ideia clara de como as coisas podem evoluir nos próximos anos, mas sugere que a tendência é que a região continue tendo baixa relevância na pauta do país norte-americano, independentemente do curso tomado nas eleições de novembro. A China, no entanto, permanece em foco para ambos.

Por Redação, com Reuters – de Porto Alegre

Vença o atual presidente dos EUA, Donald Trump (Republicanos), ou o democrata Joe Biden, a China permanece como uma pedra no sapato dos EUA. Ambos tendem a manter uma política de confrontação com os chineses, mas com uma estratégia mais voltada à política industrial e menos focada em tarifas comerciais, avaliou o economista norte-americano Paul Krugman.

Krugman acredita que a América Latina permanecerá invisível aos EUA, com Trump ou Biden
Krugman acredita que a América Latina permanecerá invisível aos EUA, com Trump ou Biden

Sobre a relação dos EUA com a América Latina, Krugman diz não ter ideia clara de como as coisas podem evoluir nos próximos anos, mas sugere que a tendência é que a região continue tendo baixa relevância na pauta do país norte-americano, independentemente do curso tomado nas eleições de novembro.

— O fato é que, com exceção do México, a América Latina é quase invisível no discurso dos EUA, e até mesmo o México se desvaneceu como uma preocupação, com o declínio da migração e com o governo atual nem pró-EUA o suficiente para atrair apoio nem anti o suficiente para levantar muita preocupação — disse Krugman, ganhador do prêmio Nobel de economia, em entrevista à agência inglesa de notícias Reuters, divulgada nesta segunda-feira.

Países ricos

O economista, crítico inflamado da administração Trump, se diz preocupado com a situação fiscal dos emergentes, e destaca particularmente a vulnerabilidade da Turquia.

— Estou preocupado. Pode-se argumentar que o problema dos países que não conseguem tomar empréstimos por causa do “pecado original” é menor do que no passado, com mais empréstimos se dando em moeda local. Mas ainda acho que os países emergentes têm muito menos espaço fiscal do que os países ricos, em um momento em que os gastos deficitários são essenciais — acrescentou.

Ainda sobre a China, sua expectativa é que a contenda em torno da gigante de tecnologia Huawei, que tem sofrido fortes restrições a sua atuação por parte do governo dos EUA, siga sendo uma questão entre os dois países mesmo que o democrata Biden assuma o poder.

Reeleição

Já o aplicativo Tik Tok, que Trump quer banir dos EUA, “parece mais uma obsessão de Trump”, disse o economista.

— A situação EUA-China é complicada. Por um lado, os EUA têm queixas genuínas; por outro, há muito pouco apoio à guerra comercial de Trump. Então o que Biden provavelmente faria é continuar a enfrentar a China, mas de uma forma diferente, mais focada na política industrial e com mais empenho em trazer outros países para o esforço — afirmou.

Se Trump conquistar a reeleição, no entanto, Krugman prevê que o relacionamento entre os dois países fique “muito ruim”.

— Sua obsessão com a China é pessoal e não muito racional — sublinhou.

Krugman participa, nesta terça-feira, de congresso virtual aberto ao público promovido pela instituição de ensino brasileira Unisinos, quando falará também sobre a retomada da economia dos EUA.