TSE desconhece tsunami de notícias falsas na campanha de Bolsonaro

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Publicado domingo, 21 de outubro de 2018 as 16:17, por: CdB

Ainda neste domingo, mais uma reportagem da jornalista Patrícia Campos Melo, no diário conservador paulistano Folha de S. Paulo confirma a fraude eleitoral pela rede social WhatsApp.

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

 

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ministra Rosa Weber desconhece, por completo, a ação atribuída à campanha do candidato neofascista Jair Bolsonaro de distribuir milhões de mensagens com notícias falsas, às vésperas das eleições.

Presidente do TSE, Rosa Weber pede aos jornalistas, durante entrevista coletiva, uma solução para a questão das notícias falsas, porque a Justiça Eleitoral ainda não encontrou 'esse milagre'
Presidente do TSE, Rosa Weber pede aos jornalistas, durante entrevista coletiva, uma solução para a questão das notícias falsas, porque a Justiça Eleitoral ainda não encontrou ‘esse milagre’

— Esses excessos que se cometem são apurados pela Justiça Eleitoral, no tempo devido, por representações que terminam ensejando alguma resposta — disse Weber, na entrevista coletiva concedida na tarde deste domingo.

Celulares

Ainda neste domingo, mais uma reportagem da jornalista Patrícia Campos Melo, no diário conservador paulistano Folha de S. Paulo confirma a fraude eleitoral pela rede social WhatsApp, cometida por apoiadores de Jair Bolsonaro, como o empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, que disseminaram mentiras contra Fernando Haddad.

Uma das empresas contratadas pelos apoiadores de Bolsonaro, a Croc Services, formalizou proposta de R$ 8,7 milhões à campanha de Geraldo Alckmin, do PSDB, usando nomes e números de celulares obtidos pela própria agência, e não pelo candidato – o que é ilegal.

“Trocas de emails e a proposta de um contrato obtidas pela Folha confirmam a oferta de disparos em massa por WhatsApp a campanhas políticas, utilizando base de usuários de terceiros, em desacordo com a lei eleitoral. A Croc Services formalizou proposta de R$ 8,7 milhões à campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência, usando nomes e números de celulares obtidos pela própria agência, e não pelo candidato”, diz o texto.

Disparos

“A oferta de contrato da empresa, com data de 30 de julho e obtida pela Folha, cita opções diversas de disparos de mensagens por WhatsApp, com pagamento a ser feito até três dias antes da ação”, acrescenta a jornalista.

“Pedro Freitas, sócio-diretor da Croc, afirmou não saber que a prática era ilegal. Ele disse que só prestou serviços para a campanha de Romeu Zema (Novo) ao governo de Minas, que gastou R$ 365 mil, e de Alckmin, com a base fornecida pelos partidos — Zema também diz que só comprou serviços com dados próprios”, pontua.

“A compra de serviços de disparo de WhatsApp por empresas para favorecer um candidato configura doação não declarada, além de vir de pessoa jurídica, o que é vedado. Com isso, pode-se também incorrer no crime de abuso de poder econômico e, caso se considere que teve influência determinante, pode levar à cassação da chapa, caso o candidato esteja ciente”, adiciona o texto.

Mensagens

No caso da campanha do PSDB, as mensagens enviadas por WhatsApp, com um vídeo, diziam:

“Boa noite, tudo pronto? Daqui a pouco as urnas abrem e Geraldo tem um recado importante para você! Assista e encaminhe para seus contatos! Chegou a hora! É 45 na urna com amor e tolerância no coração”.

“Pelo volume de mensagens geradas em favor do Bolsonaro, é possível que sua campanha tenha sido beneficiada, mesmo que ele não tenha conhecimento pleno”, disse Vitorino, da campanha tucana.

“Existem muitas empresas que oferecem o serviço com bases de terceiros e será muito difícil conseguir comprovar a quantidade de mensagens enviada, bem como as fontes pagadoras, dado que muitas dessas empresas são informais”, afirmou ele.

Campanha do PSDB

Segundo Vitorino, a julgar pelo engajamento em redes sociais como Facebook e Twitter, é possível que outros candidatos tenham feito uso de ferramentas ilegais.

“O envolvimento de empresários em defesa de candidatos já foi comprovado pelo TSE, que, ao receber denúncia da campanha de Alckmin sobre o impulsionamento irregular de conteúdo, multou um empresário. Como não há nenhum tipo de monitoramento ativo, por parte das autoridades, é provável que muitos outros empresários tenham também feito impulsionamentos de políticos”, disse.

Ele se refere à denúncia que fez contra Luciano Hang, da Havan, que foi multado em R$ 10 mil pelo TSE por ter impulsionado publicações no Facebook que promoviam a campanha de Jair Bolsonaro.

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