Tuberculose é doença infecciosa mais mortal do mundo, diz OMS

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Publicado quinta-feira, 26 de março de 2020 as 11:30, por: CdB

Pandemia de coronavírus ameaça pacientes que já têm o pulmão enfraquecido pela tuberculose. Enfermidade é responsável por cerca de 1,5 milhão de mortes a cada ano.

Por Redação, com DW e Sputnik – de Londres

A tuberculose mata mais pessoas do que qualquer outra doença infecciosa, segundo informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na terça-feira. Por volta de 1,5 milhão de pessoas morreram da infecção bacteriana em 2018, informou a agência da ONU.

Bactéria da tuberculose vista em microscópio
Bactéria da tuberculose vista em microscópio

Aproximadamente 10 milhões de pessoas são infectadas pela doença causada por uma bactéria Mycobacterium tuberculosis ou Bacilo de Koch (BK) a cada ano, segundo a OMS. Apenas uma pequena parcela dos casos globais recebe o medicamento necessário para salvar vidas. Mais de 4 mil pessoas morrem de tuberculose todos os dias.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a atual pandemia de coronavírus mostra quão vulneráveis estão, diante do novo surto, pacientes com problemas pulmonares ou sistemas imunológicos enfraquecidos. A tuberculose é uma doença que afeta, em primeira linha, os pulmões.

– Para milhões de pessoas tísicas, o coronavírus representa um perigo significativo porque os pulmões delas já estão enfraquecidos pela tuberculose, seu estado geral de saúde é ruim devido à pobreza em que vivem e elas não têm acesso a cuidados sanitários adequados – disse Burkard Kömm, diretor da Associação Alemã de Assistência aos Hansenianos e Tuberculosos (DAHW).

Os pacientes

Na Ásia e na África, os pacientes com tuberculose são os mais propensos a morrer pela infecção de Covid-19. A tuberculose pode ser curada se tratada ao longo de seis meses com uma combinação de quatro antibióticos diferentes, informou a DAWH.

No entanto, muitos pacientes encerram o tratamento precocemente ou desenvolvem resistência ao medicamento, o que complica e prolonga o tratamento. A falta de remédios é um motivo comum pelo qual os pacientes encerram o tratamento precocemente, disse a DAWH.

Vacina única para Covid-19

Os cientistas que estudam novo coronavírus SARS-CoV-2 dizem que ele não parece estar mutando rapidamente, o que significa que uma vacina desenvolvida para a doença ofereceria proteção a longo prazo.

Alguns vírus sofrem mutações múltiplas à medida que se replicam dentro das células hospedeiras.

Contudo, Peter Thielen, geneticista molecular do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, EUA, referiu em declarações ao jornal Washington Post que parece haver apenas quatro a 10 diferenças genéticas entre várias estirpes do SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19.

– É um número relativamente pequeno de mutações por ter passado por um grande número de pessoas – disse Thielen. “Neste momento, a taxa de mutação do vírus sugere que a vacina desenvolvida para o SARS-CoV-2 seria uma única vacina, em vez de uma nova vacina todos os anos, como a vacina da gripe.”

Assim, uma vacina contra o coronavírus seria provavelmente semelhante às vacinas contra o sarampo ou a varicela, vacinas únicas que não precisam mudar.

– Eu esperaria que uma vacina contra o coronavírus tivesse um perfil semelhante a essas vacinas. É uma ótima notícia – disse Thielen.

Dois outros cientistas nos EUA, Stanley Perlman, da Universidade de Iowa, e Benjamin Neuman da Universidade A&M do Texas, em Texarkana, também confirmaram ao WP que o vírus parece ser estável.

– O vírus não sofreu nenhuma mutação significativa – observou Perlman.

– Apenas uma cepa ‘muito ruim’ para todos até agora. Se ainda estiver por aí em um ano, por essa altura poderemos ter alguma diversidade – disse Neuman, acrescentando que a gripe é muito mais suscetível à mutação.

O pesquisador da Universidade A&M detalhou as diferenças entre as infeções.

– A gripe tem um truque na manga que os coronavírus não têm. O genoma do vírus da gripe é dividido em vários segmentos, cada um dos quais codifica um gene. Quando dois vírus da gripe estão na mesma célula, eles podem trocar alguns segmentos, potencialmente criando uma nova combinação instantaneamente. Foi assim que surgiu a gripe ‘suína’ H1N1.

Outras pesquisas

Devido ao fato que o desenvolvimento da vacina para Covid-19 pode levar entre 12 e 18 meses, os pesquisadores estão se esforçando para encontrar outros tratamentos. Um dos métodos que está mostrando resultados promissores é a combinação da hidroxicloroquina antimalárica e o antibiótico azitromicina.

Segundo um estudo realizado por pesquisadores da IHU-Méditerranée Infection em Marselha, França, os pacientes que tomaram esses dois medicamentos juntos “mostraram uma redução significativa do porte viral” seis dias após o início do tratamento e uma “duração média de porte muito mais baixa” em comparação com os pacientes não tratados.

Outro tratamento potencial é o “plasma convalescente”, no qual doações de plasma de sobreviventes do coronavírus são infundidas em um paciente que está sofrendo do mesmo.

“É possível que o plasma convalescente que contém anticorpos do SARS-CoV-2 possa ser eficaz contra a infecção”, escreveu a Administração de Alimentos e Drogas (FDA na sigla em inglês) dos EUA em um comunicado de terça-feira no qual anunciou a aprovação de um protocolo de emergência que permite aos médicos realizarem o procedimento para doentes em estado crítico.

A Universidade Johns Hopkins rastreia o número de pessoas afetadas pelo novo coronavírus mundialmente, registrando até o momento mais de 487 mil casos da Covid-19, mais de 22 mil pessoas mortas e mais de 117 mil recuperações em 175 países.