Tucanos sofrem novo impacto com elo exposto entre Richa e Odebrecht

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Publicado sexta-feira, 11 de maio de 2018 as 15:41, por: CdB

Ligação incrimina o chefe de gabinete do ex-governador Beto Richa, um dos expoentes dos tucanos, com a empreiteira Odebrecht.

 

Por Redação – de Curitiba

 

Ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) deixou o cargo para se candidatar a uma cadeira no Senado. Perdeu, portanto, o foro privilegiado. Ficou exposto à Justiça comum, assim, o elo entre o político paranaense e o esquema de corrupção liderado pela empreiteira Odebrecht.

Beto Richa
O tucano Beto Richa é citado em processo de corrupção da empreiteira Odebrecht

Áudios do Ministério Público Federal (MPF), vazados para a mídia conservadora, remetam ao então chefe de gabinete do seu governo, Deonilson Roldo. Ele é alvo de investigações sobre uma negociata com a Odebrecht; em uma obra que teria desviado recursos do governo do Estado para a campanha de Richa, por meio do caixa 2.

Nos diálogos revelados, Roldo tenta convencer Pedro Rache, diretor-executivo da Contern; uma construtora do grupo Bertin, a desistir da licitação para duplicação da PR-323. Segundo o chefe de gabinete; a obra estaria prometida para a Odebrecht.

Áudio vazado

O encontro, segundo as investigações, teria ocorrido em 24 de fevereiro de 2014. O local, uma sala do Palácio Iguaçu, sede do Governo do Paraná.

A licitação da PR-323 envolveu recursos da ordem de R$ 7 bilhões. O projeto consistia na concessão de pedágio e na duplicação de 207 quilômetros da rodovia estadual; que corta as regiões norte e noroeste do Paraná.

A empresa Contern tinha interesse no contrato. O chefe de gabinete de Richa, contudo, “coagiu a empresa para desistir da licitação, favorecendo a Odebrecht”, diz o inquérito.

Ainda segundo o áudio vazado, Deonilson Roldo afirmou a Rachae:

— A gente tem um compromisso nessa obra aí. Queria ver até onde a gente pode entrar para que esse compromisso não seja desrespeitado.

Negócios

Pela desistência da Contern no processo licitatório, Roldo ofereceu ajuda do governo em outro negócio de interesse do Grupo Bertin. Seria uma obra no Complexo de Aratu, no litoral da Bahia; onde o grupo possuía seis usinas térmicas. Buscava, todavia, um parceiro para a empreitada.

O acordo seria para a Contern desistir da PR-323; assim, Roldo mediaria a negociação com a Companhia Energética do Paraná (Copel); num valor próximo de R$ 500 milhões.

— O grupo tem uma negociação com a Copel em andamento. Então a gente queria ver em paralelo esses negócios…— afirmou o chefe de gabinete.

O diretor da Contern, Pedro Rache, aceitou levar os termos propostos aos conselheiros italianos (do Grupo Bertin). Pediu a Roldo, no entanto, uma extensão do prazo para entrega das propostas da PR-323. Desta forma, ele teria mais tempo de convencer o grupo italiano a desistir do contrato.

Licitação

Roldo, todavia, parecia ter pressa na solução do caso. Ainda assim, concordou em buscar uma forma de adiar a abertura da licitação.

Adiante, um trecho da conversa vazada pela Justiça:

Deonilson Roldo (DR) — Tem planos de entrar na PPP aqui, da 323?

Pedro Rache (PR) — Eu tenho planos fortes. Trabalhei muito. Estou trabalhando, claro que a gente trabalha de uma maneira bem discreta. Mas estou com a proposta pronta. To com ela pronta para entregar agora.

DR — Mas a gente tem um compromisso nessa obra aí. Queria ver até onde a gente pode entrar pra que esse  compromisso não seja desrespeitado.

PR — Eu hoje tava bem preparado, estou bem preparado pra entrar aí. Eu tenho um grupo italiano, que trabalha comigo.

DR — Eu te perguntei do assunto Copel porque está em andamento hoje à tarde, está tendo uma reunião na  Copel aqui e o grupo tem uma negociação com a Copel em andamento… pra fechar até o final de março com uma possibilidade grande de fechar. É um negócio de R$ 500 milhões mais ou menos. São seis térmicas do complexo Aratu que a Copel está negociando.

‘Não sou bobo’

PR — Se eu posso compor. Mas é o que eu falei: Eu tenho que levar no grupo primeiro.
DR — Você tem condição de conversar com uma pessoa agora, saindo daqui?
PR — Sem problema nenhum.
DR — Da Odebrecht.
PR — Deixa eu explicar uma coisa. Eu não quero atender a Odebrecht, eu quero atender o governo, é diferente. Eu tenho uma história com a Odebrecht, passei muita dificuldade (…) A proposta está pronta. Não estou aqui de conversa, não tenho essa característica (…)

Não sou bobo. A gente precisa criar esse tipo de coisa pra ter a relação. Sendo um pedido daqui. Eu prefiro que esse pedido seja daqui e não eu ficar trocando ficha; porque dessa forma eu tenho segurança de que lá na frente…

Processo

Eu passo ter o crédito, de uma maneira ou de outra; mas eu também fico com crédito com eles através daqui e não através deles. Resolvendo tudo aqui, sai como se fosse uma determinação. É bem diferente do que ‘ó tá combinado’.
DR — Internamente, você tem como ver no grupo que tem esse outro assunto.
PR — Voltando já faço isso rapidamente.
DR — Uma coisa facilita a outra.
PR — Só pra eu me situar: dentro desse processo, to falando da Copel dos R$ 500 milhões, seria já como se fosse um equilíbrio com o consentimento…
DR — A negociação tá em curso na Copel, as tratativas começaram e a gente tem a possibilidade de dizer  assim: ‘ok, vamos fazer já’.

PR — Porque aí eu preciso colocar isso pro outro lado e ver a posição dessa parte do grupo, de energia.

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