Tudo muda, até o Galo da Madrugada

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Publicado sexta-feira, 31 de janeiro de 2020 as 10:07, por: CdB

É o imponente Galo da Madrugada, símbolo do imenso bloco de rua que reúne uma infinidade de trios elétricos e algumas centenas de milhares de foliões, no sábado de Momo, no Recife.

Por Luciano Siqueira – de Brasília

Uma alegoria de sete toneladas e 28 metros de altura permanece sobre a Ponte Duarte Coelho, no Recife, durante o Carnaval. É o imponente Galo da Madrugada, símbolo do imenso bloco de rua que reúne uma infinidade de trios elétricos e algumas centenas de milhares de foliões, no sábado de Momo, no Recife.

Uma alegoria de sete toneladas e vinte e oito metros de altura permanece sobre a Ponte Duarte Coelho, no Recife, durante o Carnaval
Uma alegoria de sete toneladas e vinte e oito metros de altura permanece sobre a Ponte Duarte Coelho, no Recife, durante o Carnaval

Devia ser uma unanimidade, mas não é. Nos últimos anos, a concepção, a estrutura e as feições estéticas do imenso galo suscitam polêmicas. No pomo da discórdia, a “modernização” do dito cujo.

O carnaval é uma festa criativa por natureza, em todos os sentidos. Mas muita gente põe água no chope dos que ousam recriar a imensa alegoria.

Assim parece ser também a batalha eleitoral, que este ano se dará em outubro próximo. Mudam o mundo e o Brasil, a própria legislação eleitoral muda (agora proíbe coligações partidárias na disputa de vagas para as Câmaras Municipais), multiplicam-se os meios de comunicação sob o impulso da mídia digital…

Por que se insiste nas velhas fórmulas, no lenga lenga dos balões de ensaio enquanto não vem a quarta-feira de cinzas para devolver ao baú das ilusões as fantasias de vários?

Por que a permanência dos mesmos métodos e formas de campanha?

Ora, sob a onda conservadora, de feição fascistoide, vitoriosa no pleito geral de outubro de 2018, às forças do campo democrático se impõe o desafio de acumular agora os meios subjetivos e objetivos para que possam, em 2022, arrostar a extrema direita e redirecionarem os rumos do país.

Onda conservadora

Essa empreitada, assim enunciada, por si só exige dos partidos e dos atores mais proeminentes na cena política descortino e bom senso, bases da necessária impetuosidade na batalha propriamente dita.

Unir forças é a pedra de toque. Mesmo nos municípios onde a ocorrência de dois turnos possibilita maior flexibilidade tática, dando azo a que projetos partidários específicos possam se expressar com maior nitidez através de candidaturas próprias ao Executivo.

Também há que se contornar e superar a mercantilização do voto nas extensas áreas urbanas mais empobrecidas. A comunicação digital instantânea combinada com o corpo a corpo focado na conquista da consciência e do afeto do eleitor podem ensejar que candidatos e candidatas à vereança venham a alcançar êxitos significativos e vencerem o clientelismo viciado.

Assim como a alegoria do Galo da Madrugada, inovar é preciso, particularmente entre as forças que se batem na resistência democrática.

Luciano Siqueira, é Médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil