Tudo pronto, na Alerj, para o impeachment de Wilson Witzel

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Publicado quarta-feira, 10 de junho de 2020 as 15:22, por: CdB

Ao longo da semana passada, Ceciliano já havia sinalizado para a abertura do processo. Há, até agora, 11 pedidos de impedimento do governador. Witzel conta com apenas quatro aliados, no conjunto de 70 parlamentares da Casa, todos do PSC.

Por Redação – do Rio de Janeiro

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) iniciou, nesta quarta-feira, os trâmites para a votação do pedido de impedimento ao governador Wilson Witzel (PSC), por crime de responsabilidade. O presidente da casa legislativa, André Ceciliano (PT), pautou a abertura do processo e convocou os deputados estaduais para o início do rito, previsto na Constituição e, levado a voto, Witzel perdeu por unanimidade, com 69 dos 70 votos possíveis favoráveis à cassação de seu mandato.

Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel
Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, é alvo de um pesado processo de impedimento, na Alerj

Ao longo da semana passada, Ceciliano já havia sinalizado para a abertura do processo. Há, até agora, 11 pedidos de impedimento do governador. Witzel conta com apenas quatro aliados, no conjunto de 70 parlamentares da Casa, todos do PSC. Segundo a CNN, 26 fazem oposição formal ao mandatário, o que incluiria partidos de esquerda e bolsonaristas.

Diálogo

A situação de Witzel tornou-se insustentável após o início das investigações da Polícia Federal (PF) sobre desvios de recursos que seriam destinados ao combate da pandemia. O vice-governador, Cláudio Castro (PSC), segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, é um dos principais adversários do titular.

Na tentativa de se segurar no cargo, Witzel chegou a apelar ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na semana passada, numa tentativa de retomar o diálogo perdido ao longo dos últimos meses, quando Witzel migrou para a oposição. Após a reviravolta nas investigações sobre corrupção, no entanto, o governador abaixou o tom das críticas a Bolsonaro.

Apenas duas semanas depois de afirmar que os mandados de busca e apreensão em sua casa eram uma “interferência” do presidente nos trabalhos da PF, Witzel tentou reduzir o ruído na comunicação com o Palácio do Planalto.

Em entrevista, na véspera, a uma rádio paulistana, Witzel revelou que havia encaminhado um pedido para ser recebido por Bolsonaro. O objetivo da visita seria para “retomar o diálogo” e debater questões como o Regime de Recuperação Fiscal.

Chance zero

Nesta quarta-feira, porém, segundo interlocutores do presidente próximos ao assunto disseram ao CdB, ficou claro que a aproximação seria “praticamente impossível”. Bolsonaro ainda acredita que Witzel mobilizou as forças policiais do Estado para investigar a participação de sua família no esquema de milícias, que aflige os moradores de comunidades na Zona Oeste da Cidade.

Na entrevista à rádio, Witzel tentou descolar o nome de Bolsonaro do suposto aparelhamento da PF, usado para o “assassinato de reputação”, afirmando que a prática teve início ainda nos governos PT.

— É uma prática que vem acontecendo há muito tempo, o uso político da própria instituição para se fortalecer e ganhar força depois. Não estou dizendo que todos na instituição façam isso. Não houve cuidado de se fazer investigação mais aprofundada — afirmou.

Ecos da PF

Witzel disse isso para, em seguida, manifestar o desejo de ser recebido por Bolsonaro, no Palácio do Planalto.

— Tenho minhas diferenças com o presidente e continuo tendo. Mas sempre foram críticas para ajudar nosso desenvolvimento econômico. Espero que o presidente possa retomar diálogo comigo, pois isso é bom para o Rio e para o Brasil. (…) Espero que o presidente possa me receber para que a gente converse e possa encontrar soluções — diz ele.

O principal ponto de discórdia, no entanto, permanece sendo o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente que, segundo Witzel, “deveria estar preso”. A declaração do governador, na porta do Palácio Laranjeiras, horas depois de ter seus endereços revirados e o celular apreendido pela PF, ecoa até agora junto à família Bolsonaro.

Matéria atualizada às 19h36 de 10 de junho de 2020.