Turquia prende dezenas de pessoas por ‘propaganda terrorista’

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Publicado terça-feira, 23 de janeiro de 2018 as 13:52, por: CdB

Autoridades detêm quase uma centenas de críticos de campanha militar turca contra milícia curda na Síria. Erdogan pede unidade em meio à ofensiva e afirma que quem participar de protestos pagará “alto preço”

Por Redação, com DW – de Ancara:

Forças de segurança turcas prenderam quase uma centena de pessoas nesta terça-feira, em diversas partes do país, sob acusação de disseminar propaganda terrorista nas redes sociais em postagens críticas à ofensiva militar do país contra milícias curdas na região de Afrin, na Síria.

A polícia turca prendeu 91 pessoas em 13 províncias, incluindo políticos e jornalistas

Foram detidas 91 pessoas em 13 províncias, incluindo políticos da legenda opositora pró-curda Partido Democrático do Povo (HDP). Um porta-voz do HDP disse que as prisões ocorreram nas sedes do partido na província de Siit; em Ancara e em Esmirna, no oeste do país. Um mandado de prisão foi emitido contra o vice-presidente do HDP, Nadir Yildirim; alvo de investigações após criticar a ofensiva militar em Afrin. 

O jornal turco Cumhuriyet denunciou a prisão de ao menos cinco jornalistas desde a segunda-feira na capital Ancara; e nas províncias de Diyarbakir e Van, por criticarem a operação militar nas redes sociais.

Ancara realiza uma campanha militar contra posições da milícia curdo-síria Unidades de Proteção do Povo (YPG) no enclave curdo na região de Afrin; no noroeste da Síria. O YPG é acusado de associação com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK); banido pelo governo turco por ser considerado uma organização terrorista.

ONG

Emma Sinclair-Webb, especialista em Turquia da organização Human Rights Watch, denunciou a prisão da ativista curda Nurcan Baysal, afirmado que o governo silencia “aqueles que levantam sua voz contra a guerra”. Ela acusa o governo turco de violar o direito internacional.

Ancara reforçou suas medidas repressivas após a fracassada tentativa de golpe de Estado na Turquia em julho de 2016. Desde então, mais de 50 mil pessoas foram presas, e 150 mil, demitidas ou afastadas de seus trabalhos. O governo justifica as medidas alegando ameaças à segurança interna.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu unidade do país em meio à operação em Afrin e alertou que aqueles que responderem às convocações de protestos pagariam um “alto preço”. Na segunda-feira, as autoridades em Ancara proibiram manifestações, protestos e concertos na cidade enquanto durar a ofensiva.

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