TVs dos EUA prometem calma para anunciar vencedor de eleição

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Publicado terça-feira, 2 de novembro de 2004 as 09:02, por: CdB

Após aprenderem algumas lições com o fiasco da noite eleitoral de 2000, os diretores de jornalismo das emissoras de TV dos Estados Unidos prometem que sua vontade de ser o primeiro canal a anunciar o novo presidente do país ficará em segundo plano desta vez, atrás de um objetivo mais importante: o de acertar.

E, pela primeira vez na política norte-americana moderna, as redes reconhecem de antemão que, ao final da noite desta terça-feira, poderão dar apenas um veredicto: “Too close to call”, ou seja, um resultado apertado demais para cravar o vencedor.

Esta foi uma das campanhas mais acirradas da história dos EUA, que chegou à reta final empatada, segundo as pesquisas. É praticamente o mesmo cenário visto em 2000, quando George W. Bush enfrentou Al Gore, mas desta vez as emissoras prometem ter mais cautela.

– Esse é definitivamente o nosso mantra – acertar. Não precisamos ser os primeiros – disse Linda Mason, diretora da redação da CBS News – Estamos muito cientes da confusão que foi em 2000, e não queremos que isso se repita. Queremos que o público nos veja com confiança, então vamos ser muito cuidadosos com o que dizemos.

As três grandes redes abertas dos EUA (CBS, ABC e NBC) e os canais a cabo Fox News e CNN vão usar um novo sistema para as pesquisas de boca-de-urna e para a tabulação dos resultados por condado.

– Há quatro anos era ‘Flórida, Flórida, Flórida’. Neste ano será ‘jornalismo, jornalismo, jornalismo’ – disse o âncora Tom Brokaw, da NBC, em uma recente entrevista coletiva sobre como o canal vai cobrir o evento.

A credibilidade das emissoras foi duramente abalada em 2000, quando elas inicialmente noticiaram a vitória do democrata Al Gore, recuaram e anunciaram que George W. Bush era o novo presidente. Ao amanhecer, as redes tiveram de mudar novamente de postura, admitindo que a eleição da Flórida, cujo resultado era decisivo para a eleição presidencial, não teria um resultado conclusivo.

Só duas semanas depois, após uma exaustiva tentativa de recontagem, a Suprema Corte proclamou a vitória de Bush.

Para o analista de mídia Andrew Tyndall, a lição mais importante daquela eleição para os jornalistas é que não há problema em declarar que uma eleição terminou empatada.

– Não é um fracasso dizer que está ‘too close to call”‘, afirmou. “O ‘too close to call’ é agora uma forma legítima de dar o resultado em um Estado.

Para fugir à tentação de correr atrás dos concorrentes mais apressados, a NBC planeja “isolar” sua equipe encarregada de projeções, e para isso manterá os aparelhos de TV fora da sala em que as decisões são tomadas.

A Fox News, que ajudou a desencadear a confusão de 2000, quando inicialmente declarou que Bush havia vencido na Flórida, disse que também vai colocar suas chefias de quarentena. A CBS, por sua vez, vai deslocar sua chefia para dentro do estúdio, onde haverá melhor comunicação entre as pessoas que dão os resultados e as que levam as notícias ao ar.

A ABC adotou uma nova regra, que exige uma margem de pelo menos um ponto percentual entre os candidatos para que um deles seja declarado vencedor em qualquer Estado, mesmo que todas as seções já tenham concluído a apuração, disse o diretor de redação Dan Merkle.

Alertas sobre fraudes, contestações judiciais e outras irregularidades também serão parte da cobertura deste ano. E esses fatores devem manter a audiência acordada na madrugada de quarta-feira.

Ao mesmo tempo, todas as redes se dizem confiantes na sua capacidade de noticiar corretamente os resultados deste ano, em grande parte graças ao sistema reformulado de tabulação dos resultados das urnas, às pesquisas de boca-de-urna e à análise de amostras dos votos.

O Pool Eleitoral Nacional, criado no ano passado para substituir o Serviço de Notícias do Voto, cujos dados errados foram em grande parte responsáveis pela confusão na cobertura jornalística de 2000, também cri