Twitter alerta para fake news em posts de Donald Trump

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Publicado quarta-feira, 27 de maio de 2020 as 10:51, por: CdB

Rede social marca dois tuítes do presidente norte-americano com sugestão para que usuários chequem os fatos, apontando que alegações “não têm fundamento”. Em reação, Trump acusa plataforma de interferir na eleição.

Por Redação, com DW – de Washington

A rede social Twitter colocou, pela primeira vez, um aviso para verificação de fatos em dois posts do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nas mensagens, publicadas na terça-feira, Trump faz referências aos planos da Califórnia de expandir o acesso ao voto pelo correio na eleição presidencial de novembro.

“O Twitter está sufocando completamente a liberdade de expressão”, reagiu Trump

O presidente, que tem mais de 80 milhões de seguidores na rede social, afirma que o voto por correspondência é “fraudulento”, que “as caixas de correio serão roubadas” e que “as cédulas serão falsificadas”.

Abaixo das duas postagens, o Twitter inseriu um ponto de exclamação azul com um link, aconselhando os leitores a “obter informações sobre as cédulas por correio”. O link redireciona os usuários para uma página com uma mensagem do próprio Twitter e com notícias de veículos como The Washington Post e CNN que desmentem as alegações do presidente.

“Na terça-feira, o presidente Trump fez uma série de alegações sobre possíveis fraudes eleitorais depois que o governador da Califórnia, Gavin Newsom, anunciou um esforço para expandir a votação por correio na Califórnia durante a pandemia de covid-19. Essas reivindicações não têm fundamento, de acordo com a CNN, Washington Post e outros. Especialistas dizem que as cédulas por correspondência raramente são vinculadas a fraude eleitoral”, afirma o texto do Twitter.

Horas depois, Trump usou o próprio Twitter para atacar a rede social, acusando a empresa de interferir na eleição presidencial de 2020. “O Twitter está sufocando completamente a liberdade de expressão, e eu, como presidente, não vou permitir isso!”

A rede social confirmou que foi a primeira vez que sinalizou tuítes de Trump, medida alinhada com a nova política da empresa para alertar sobre fake news. As regras foram introduzidas este ano, inicialmente para lidar notícias não confiáveis sobre o coronavírus.

Embora o presidente dos EUA frequentemente use sua conta para fazer declarações questionáveis e lançar ataques pessoais, o Twitter vinha resistindo a agir contra Trump, sob o argumento de que permitir tuítes controversos de políticos incentiva a discussão e ajuda a responsabilizá-los.

Nós últimos meses, porém, tem aumentando a pressão popular e política para que as redes sociais ajam contra a disseminação de fake news. Governos em todo o mundo passaram a exigir das empresas de mídias sociais regulamentações mais rígidas para evitar a propagação desse tipo de conteúdo. Em abril, o aplicativo de mensagens WhatsApp anunciou que passou a limitar o reenvio de mensagens para impedir a propagação de informações falsas.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA vêm incentivando “métodos de votação por correio” para garantir que os cidadãos possam observar as regras de distanciamento social e evitar aglomerações em razão da pandemia, os Estados Unidos concentram cerca de 30% do total de casos de covid-19 e cerca de 28% das mortes. Trump, no entanto, vêm questionando esse método de votação. A eleição presidencial está marcada para 3 de novembro, e o presidente vai concorrer à reeleição pelo Partido Republicano.

Trump se junta a outros líderes

Agora, Trump se junta a um pequeno grupo de chefes de Estado que já tiveram suas postagens contestadas pelo Twitter, como o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, o “líder supremo” do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

No final de março, o Twitter bloqueou dois vídeos publicados no perfil oficial de Bolsonaro sobre a visita que ele fez ao comércio da região de Brasília. No lugar das postagens, aparecia a mensagem: “Este tweet não está mais disponível porque violou as regras do Twitter“.

Depois, Facebook e Instagram também removeram um vídeo publicado pelo presidente. “Removemos conteúdo no Facebook e Instagram que viole nossos padrões da comunidade, que não permitem desinformação que possa causar danos reais às pessoas”, justificou o grupo.

Também em março, o Twitter apagou postagens do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e do senador Flávio Bolsonaro, por utilizarem fora de contexto um vídeo antigo do médico Drauzio Varella, no qual ele abordava a crise provocada pelo coronavírus.

Neste mês, o Instagram tarjou uma postagem do perfil oficial de Bolsonaro após uma agência de checagem verificar que a informação era falsa. A postagem dizia que o número de mortes por doenças respiratórias no Ceará diminuiu este ano, o que não é verdade.

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