UE: líderes rejeitam apelo do Reino Unido para renegociar Brexit

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Publicado quinta-feira, 31 de janeiro de 2019 as 13:24, por: CdB

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que conversou por telefone com Theresa May, na quarta-feira, e que disse a ela que o acordo de retirada não estava aberto para renegociação.

Por Redação, com ABr e Reuters – de Bruxelas/Londres

Líderes da União Europeia (UE) rejeitaram o apelo do Reino Unido para que o acordo do Brexit (a saída do país da UE) seja renegociado. A rejeição ocorreu devido a preocupações com a fronteira irlandesa.

Líderes da UE rejeitam apelo do Reino Unido para renegociar Brexit

Na terça-feira, a primeira-ministra britânica Theresa May afirmou que pretende reabrir negociações sobre o acordo, após o Parlamento ter aprovado uma moção exortando May a buscar “alternativas” para o chamado backstop irlandês. Trata-se de uma medida para evitar o retorno de uma fronteira rígida entre a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido, e a Irlanda, que é membro da União Europeia.

No Parlamento Europeu, na quarta-feira, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, declarou que a votação do Reino Unido elevou o risco de uma saída desordenada.

Já o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que conversou por telefone com Theresa May, na quarta-feira, e que disse a ela que o acordo de retirada não estava aberto para renegociação.

A menos de dois meses até o Brexit, programado para ocorrer em 29 de março, não existe perspectiva para uma solução.

Conselho Europeu

O negociador chefe da União Europeia para o Brexit disse ao Reino Unido na quarta-feira que não há tempo suficiente para encontrar uma alternativa para o arranjo sobre a fronteira irlandesa presente no acordo de retirada, como Londres deseja, e que o tratado não está aberto à renegociação.

Faltando menos de dois meses para o Reino Unido ser obrigado por lei a deixar a União Europeia, uma estreita maioria no Parlamento britânico instruiu May na terça-feira a voltar à Bruxelas para revisar o que é provavelmente a parte mais complicada do acordo.

Michel Barnier disse à rádio francesa RTL que os dois anos de negociações do Brexit buscaram uma alternativa para o mecanismo “backstop”, elaborado para garantir que a fronteira entre a Irlanda, Estado membro da UE, e a província britânica da Irlanda do Norte, que durante muito tempo foi um cenário de violência sectária, permaneça livre de postos de controle.

– Ninguém, em ambos os lados, foi capaz de dizer qual arranjo seria necessário para garantir o controle de bens, animais e mercadorias, sem uma fronteira – disse Barnier. “Nós não temos nem o tempo, nem a tecnologia.”

A incerteza de última hora deixa investidores e aliados do Reino Unido tentando estimar se a crise terminará em um tratado, em um caótico Brexit sem acordo no dia 29 de março, em um adiamento, ou até no cancelamento do Brexit como um todo.

Essencialmente, May usará a ameaça implícita de um Brexit sem acordo para chegar a um tratado com os outros 27 Estados membros da UE, cuja economia somada é cerca de seis vezes maior do que a do Reino Unido. Mas, a resposta europeia tem sido unida e clara.

– O acordo de retirada não está aberto a renegociação –  escreveu o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em publicação no Twitter, que disse ser uma mensagem a May. “Ontem, nós descobrimos o que o Reino Unido não quer. Mas, nós ainda não sabemos o que o Reino Unido quer.”

A Irlanda acusou May de estar se iludindo ao buscar renegociar um arranjo pós-Brexit para a fronteira irlandesa em uma tentativa de conquistar o apoio do Parlamento britânico para seu acordo de retirada da UE.

Simon Coveney, ministro de Relações Exteriores da Irlanda, cuja economia deve ser a mais prejudicada por um Brexit sem acordo, disse que o Reino Unido não ofereceu uma maneira viável de manter a fronteira aberta.

– O que estão pedindo para nós fazermos aqui é comprometer uma solução que funciona, e substituí-la por algo que não passa de um desejo – disse.

Esclarecimentos

Embora a UE tenha repetidamente se recusado a retomar as negociações sobre o acordo de retirada, fontes do bloco disseram que esclarecimentos adicionais, declarações e garantias sobre o “backstop” podem ser possíveis.

May tem dito que precisa de mais —uma mudança legalmente vinculante. A premiê pretende conseguir a aprovação do Parlamento para um acordo revisado no dia 13 de fevereiro. Se não for possível, o Parlamento votará sobre os próximos passos a serem tomados no dia 14 de fevereiro.

Tanto os conservadores de May, como a principal legenda de oposição, o Partido Trabalhista, estão formalmente empenhados em realizar o Brexit, mas, internamente, estão divididos sobre como ou até se devem fazê-lo.

O líder trabalhista, Jeremy Corbyn, que defende um relacionamento muito mais próximo com a União Europeia fundamentado por uma união aduaneira, se reuniu com May para discutir o Brexit.

– Jeremy defendeu o nosso plano alternativo – disse seu porta-voz, acrescentando que o tom da reunião foi “sério e de empenho” e que os dois concordaram em se encontrar novamente.

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