UE não endossa postura de Draghi de chamar Erdogan de ‘ditador’

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Publicado sexta-feira, 9 de abril de 2021 as 12:40, por: CdB

 

Celebrada na Itália, a postura do primeiro-ministro Mario Draghi de chamar o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, de “ditador” não encontrou eco na União Europeia. Questionado sobre o assunto nesta sexta-feira um porta-voz da Comissão Europeia, poder Executivo do bloco, afirmou que a Turquia é um país com “parlamento e presidente eleitos”.

Por Redação, com ANSA – de Bruxelas

Celebrada na Itália, a postura do primeiro-ministro Mario Draghi de chamar o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, de “ditador” não encontrou eco na União Europeia.

Recep Tayyip Erdogan governa a Turquia desde 2003

Questionado sobre o assunto nesta sexta-feira um porta-voz da Comissão Europeia, poder Executivo do bloco, afirmou que a Turquia é um país com “parlamento e presidente eleitos”.

– Trata-se de um quadro complexo, mas não cabe à União Europeia qualificar um sistema ou uma pessoa – disse o porta-voz, ressaltando que Bruxelas tem preocupações sobre “liberdade de expressão, direitos fundamentais e a situação do sistema judiciário” em Ancara.

Já Ulrike Demmer, porta-voz da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou que a líder “não comenta afirmações de chefes de Estado e de governo”.

Draghi chamou Erdogan de “ditador” ao comentar o tratamento sexista dispensado pelo presidente à mandatária da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em uma reunião em Ancara no início da semana.

Na ocasião, Erdogan recebeu Von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, mas separou uma cadeira apenas para o segundo, enquanto a primeira ficou sem saber onde se sentar e depois foi acomodada em um sofá.

– Lamento muito pela humilhação que a presidente da Comissão sofreu. A consideração a fazer é que com esses, digamos, ditadores temos de ser francos ao expressar a diferença de visões, de opiniões, comportamentos, mas temos também de estar prontos a cooperar para assegurar os interesses do próprio país – disse Draghi na quinta.

Turquia

Em resposta às declarações do premiê, o governo da Turquia convocou o embaixador da Itália em Ancara, Massimo Gaiani, para protestar. “Condenamos veementemente as afirmações descontroladas do primeiro-ministro italiano nomeado, Mario Draghi, sobre o nosso presidente eleito, Recep Tayyip Erdogan”, afirmou o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu.

Ao chamar Draghi de “primeiro-ministro nomeado”, o chanceler faz referência ao fato de o economista não ter sido eleito premiê, já que assumiu o cargo após uma crise política que culminou na queda de Giuseppe Conte, sem ter passado pelas urnas.

Além disso, o vice-presidente da Turquia, Fuat Oktay, disse que a Itália deve olhar para “sua história recente” se quiser ver “o que é uma ditadura”, em referência ao regime fascista de Benito Mussolini.