UE e Reino Unido prorrogam negociações sobre laços pós-Brexit

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Publicado domingo, 13 de dezembro de 2020 as 12:10, por: CdB

Lados não chegam a acordo sobre futura relação e decidem dar continuidade às conversas, “apesar do esgotamento” e “de os prazos terem sido quebrados repetidamente”. Meta é evitar um “Brexit duro” em 1° de janeiro.

Por Redação, com DW – de Bruxelas

A União Europeia e o Reino Unido concordaram neste domingo em continuar as negociações em Bruxelas sobre seu futuro relacionamento pós-Brexit, em uma decisão que mantém viva a esperança de obtenção de um acordo para tentar evitar um “Brexit duro” em 1° de janeiro.

Ursula von der Leyen:
Ursula von der Leyen: “Achamos que é a responsabilidade neste momento ir um pouco mais longe”

– Apesar do esgotamento após quase um ano de negociações e apesar do fato de os prazos terem sido quebrados repetidamente, achamos que é a responsabilidade neste momento ir um pouco mais longe – afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao ler breve comunicado formulado em conjunto com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. “Por esta razão, demos aos nossos negociadores um mandato para continuar as negociações e ver se um acordo é possível, mesmo que já esteja em um estágio tão tardio”, acrescentou.

Pouco antes, Johnson e Von der Leyen tiveram uma conversa telefônica, que classificaram como “construtiva e útil”.

Na noite de quarta-feira, os dois dirigentes acordaram que as equipes manteriam um novo esforço em Bruxelas e que neste domingo haveria uma decisão firme sobre o destino do diálogo.

Fontes do governo da UE e do Reino Unido expressaram claro pessimismo sobre o destino das negociações, antes da surpreendente decisão deste domingo.

– Ainda há um longo caminho a percorrer – reiterou o ministro do Exterior britânico, Dominic Raab, ao canal Sky News. “Algumas das propostas, algumas das sugestões que nos foram feitas, são bastante ultrajantes, francamente, e não se tornam mais razoáveis ​​com a repetição”, disse.

A premiê espanhola, Arancha González Laya, pediu a ambas as partes que “evitem a todo custo” um rompimento sem acordo. “Nas atuais circunstâncias”, em meio à pandemia covid-19, “seria extremamente negativo para nossas economias”, disse ela à Sky News, lembrando que “o Reino Unido sofrerá ainda mais do que a União Europeia”.

Também o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, cujo país seria o mais afetado na UE por um Brexit sem acordo, pediu que os esforços continuem. “Seria um fracasso político se não conseguirmos chegar a um acordo”, disse ele à BBC.

O ministro do Exterior do país, Simon Coveney, saudou a notícia da continuidade das negociações como um “bom sinal” de que o acordo é “claramente muito difícil, mas possível”.

Na mesma linha se expressou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, em entrevista à France Inter Radio. “Temos que fazer tudo o que podemos para fazer com que esse acordo seja possível, devemos apoiar um bom acordo.”

Negociações travadas

O Reino Unido deixou oficialmente a UE em 31 de janeiro e, a partir de março, Londres e Bruxelas começaram a negociar um acordo comercial que entraria em vigor em 1º de janeiro de 2021.

No entanto, as negociações foram travadas em três questões: acesso dos navios de pesca europeus às águas britânicas, regras de concorrência para o acesso das empresas britânicas ao mercado europeu e o futuro mecanismo de resolução de litígios. Das três, a que se refere às regras de concorrência é a que apresenta os maiores desafios.

Londres reconheceu no sábado que quatro navios da Marinha Real estão prontos para proteger as águas britânicas de potenciais tensões com navios europeus se as negociações fracassarem.

Nas últimas semanas, os contatos se intensificaram e as partes deram sinais tímidos de uma certa reaproximação antes de apontar obstáculos de última hora.

Londres acusou Bruxelas de endurecer repentinamente sua posição, talvez movida pelo medo de países como a França, que ameaçava veto, caso fossem feitas concessões demais para alcançar “um acordo a qualquer preço”. A UE negou qualquer mudança de atitude.

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