Um ano e 300 mil mortes depois, Bolsonaro cria comitê gestor sugerido por Lula

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado quarta-feira, 24 de março de 2021 as 15:40, por: CdB

A decisão, no entanto, ocorre no pico de mortes e contágio pela covid-19, com recordes diários de morte e um colapso iminente do sistema de saúde. De acordo com Bolsonaro, o grupo vai reunir o governo federal, os governadores e o Senado.

Por Redação, com RBA – de Brasília

Mais de um ano depois de instalada a pandemia de covid-19 no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou, nesta quarta-feira, a adoção de uma medida que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia sugerido, meses antes. Bolsonaro resolveu criar um comitê gestor da crise sanitária para discutir e direcionar os rumos do combate à pandemia do novo coronavírus.

Presidentes do STF, ministro Luiz Fux, da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), usaram máscaras na reunião

A decisão, no entanto, ocorre no pico de mortes e contágio pela covid-19, com recordes diários de morte e um colapso iminente do sistema de saúde. De acordo com Bolsonaro, o grupo vai reunir o governo federal, os governadores e o Senado. 

— Um comitê se reunirá toda semana pra decidirmos ou redirecionarmos o rumo do combate ao coronavirus — disse.

‘Kit Covid’

O presidente afirmou que a reunião foi marcada pela “unanimidade, a intenção de nos dedicarmos cada vez mais à vacinação em massa no Brasil”. Entretanto, voltou a defender o tratamento precoce contra a covid-19, conhecido como ‘Kit Covid’, por meio de medicamentos sem eficácia comprovada e que têm resultado em mortes de pacientes.

— Tratamos também da possibilidade de tratamento precoce. Isso fica a cargo do ministro da Saúde, que respeita o direito e o dever do médico de tratar infectados ‘off label’ — afirmou, em referência a medicamentos que são usados para tratamentos não originalmente previstos em sua bula.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), explicou que será sua responsabilidade o contato constante com os governadores para ouvir as demandas dos estados e levar as questões para as reuniões do comitê. Pacheco disse ainda que as primeiras questões que devem ser tratadas pelo organismo, com participação da iniciativa privada, são a ampliação dos leitos de UTI, a solução dos problemas com fornecimento de oxigênio e insumos de medicação.

Atrasado e aflito

A demora para a criação de um comitê para combater a pandemia foi criticada por especialistas nas redes sociais. A epidemiologista Denise Garrett acredita que o grupo apenas cumprirá ordens de Bolsonaro.

“Depois de um ano, 300 mil mortes, o presidente resolveu criar um comitê para discutir pandemia e tem gente que acha isso ‘bacana’. Ouso dizer que, no lugar de especialistas sérios e independentes, esse ‘comitê’ vai ser um bando de pau-mandados a favor de kit covid-19”, escreveu Garrett, em uma rede social.

Outras personalidades lembram que, no último dia 10, o ex-presidente Lula, em entrevista coletiva, afirmou que “um presidente que respeitasse o país teria criado um comitê de crise”.

— Tudo o que Lula falou em seu discurso, Bolsonaro tenta agora fazer. Reforço da vacinação, uso do Zé Gotinha, criação de comitê nacional contra a covid — resumiu o advogado criminalista Pedro Martinez.