Uma breve interrupção

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Publicado sexta-feira, 14 de julho de 2006 as 17:43, por: CdB

Por determinação legal, interrompo hoje a publicação da coluna que venho mantendo no Correio do Brasil. Com minha candidatura a deputado estadual registrada junto à Justiça eleitoral, estou legalmente impedido de colaborar regularmente com algum jornal.

Aproveito a oportunidade para explicar aos leitores do Correio o porquê de ter aceitado esta empreitada.

A militância política me acompanhou ao longo dos meus 57 anos de vida. Comecei como diretor do grêmio da escola em que cursei os antigos ginásio e científico – o Colégio de Aplicação da UFRJ. Depois, já na Faculdade de Engenharia da UFRJ, fui um dos líderes das passeatas estudantis de 1968, tendo ocupado uma das vice-presidências da antiga União Metropolitana de Estudantes (UME) – que equivalia na época à atual União Estadual de Estudantes. A partir do AI-5, em dezembro de 1968, porém, passei a ser abertamente perseguido pela ditadura e fui forçado a interromper o curso. Passei, então, a viver na clandestinidade para não ser preso.

Integrei-me à resistência armada à ditadura militar, chegando a ser, na época, um de seus dirigentes. Preso em abril de 1970, fui libertado dois meses depois em troca do embaixador alemão, que fora seqüestrado pela guerrilha urbana.

Estive no exílio durante quase dez anos, em países como Argélia, Chile, México, Cuba e Suécia.

De volta ao Brasil com a anistia em 1979, integrei-me imediatamente na construção do PT, partido do qual fui fundador e dirigente estadual e nacional. Ao mesmo tempo, tratei de reconstruir minha vida profissional, trabalhando como jornalista e professor universitário.

Com o abandono, pelo PT, de seus compromissos programáticos e éticos, deixei o partido. Ele já não era mais um instrumento para as mudanças tão necessárias no país. Estou entre aqueles que se decepcionaram profundamente com o governo Lula – que, por ironia da História, ajudei a construir. A manutenção da coerência com as idéias que sempre defendi – e democracia e justiça social – me forçou a buscar outros caminhos.

No segundo semestre do ano passado, filiei-me ao PSOL. Depois, atendendo a um pedido de amigos como a senadora Heloísa Helena, o deputado Chico Alencar, o jornalista e ex-deputado Milton Temer e o vereador Eliomar Coelho – todos também no PSOL – aceitei concorrer a uma cadeira de deputado estadual.

Não interromperei as atividades como professor universitário do curso de Comunicação – até por não ter meios de me manter sem trabalhar – mas me vi obrigado a suspender meu trabalho como jornalista, por força da legislação eleitoral.