Uma geringonça urgente, para o bem do Brasil

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Publicado segunda-feira, 7 de outubro de 2019 as 13:56, por: CdB

Tanto no Congresso quanto nas ruas já ficou evidente que as últimas eleições presidenciais foram viciadas e os resultados não espelham o perfil médio do eleitor brasileiro. Então, que venha logo a geringonça.

Por Gilberto de Souza – do Rio de Janeiro

A vitória do socialista António Costa, em Portugal, mais do que a confirmação plena de um caminho bem-sucedido para o governo da pátria lusitana, aponta uma solução ao impasse político que se agrava, dia após dia no Brasil, desde o golpe de Estado deflagrado em 2016. A derrubada de um governo legítimo, substituído por um golpista e, em seguida, pela escória da ultradireita raivosa e protofascista, com a manipulação do Judiciário, empurra a economia para o pântano de uma crise sem precedentes. No campo social, amplia a miséria, corta direitos dos trabalhadores e dilapida o patrimônio da nação. Sem contar os crimes cometidos no apoio aos preconceitos, à agressão ao meio ambiente e às minorias étnicas, culturais e de gênero.

O Brasil recebe de Portugal uma substanciosa indicação de que caminho seguir, com a sua geringonça
O Brasil recebe de Portugal uma substanciosa indicação de que caminho seguir, com a sua geringonça

Tanto no Congresso quanto nas ruas já ficou evidente que as últimas eleições presidenciais foram viciadas e os resultados não espelham o perfil médio do eleitor brasileiro. A onda conservadora que arrebatou o país, na reta final de uma campanha sórdida, baseada em notícias falsas, fatos cuidadosamente produzidos para enganar os eleitores e a promoção de um ódio irascível à política e aos políticos construíram a monstruosidade que, hoje, habita a sede do governo. O tempo, senhor de todas as respostas, no entanto, não tardou em revelar a verdadeira face do desatino cometido em 2018, e não apenas no Brasil. Esse mesmo vagalhão fascista atingiu a Argentina, os EUA, a Itália, a Hungria e a Ucrânia, para citar apenas alguns dos países submetidos aos experimentos da Cambridge Analytica.

Geringonça

Um pouco de lucidez, lançada aos brasileiros desde as terras de além-mar, serve como uma lufada de ar renovado no porão em que apodrecem aqueles que apóiam a tortura, a opressão dos povos indígenas; a concentração de renda, os incêndios criminosos na Amazônia e a matança indiscriminada nas grandes cidades; a degradação do ensino público e do Sistema Único de Saúde (SUS). A promoção do diálogo entre as várias correntes partidárias que rejeitam o extremismo e a estupidez endêmica, patrocinados por milícias armadas e mentirosos contumazes, é uma demanda urgente. O que na terra de Camões chamam de geringonça, por aqui terá o mesmo desenho, desde que brasileiras e brasileiros assim o determinem, na abertura de um imenso canal de entendimento sobre os destinos desta nação.

Não seria de todo ruim se, em 2020, houvesse eleições gerais, amplas e irrestritas, desde vereador a presidente da República, desde que um movimento articulado com as forças progressistas assim o determinasse, em uma ampla articulação nas Casas Legislativas de todo o país, oficializada no Plenário do Congresso. E em regime de urgência.

Não há tempo a perder.

Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do Correio do Brasil.

 

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