Uma peleja essencialmente política

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Publicado sexta-feira, 5 de janeiro de 2018 as 08:36, por: CdB

Referir-se nesses termos ao pleito de 2018 em Pernambuco parece dispensável, mas faz sentido. Pois se é óbvio que se trata de uma disputa política, vale sublinhar que a competência e a habilidade, as refinadas ciência e arte da política, digamos assim, terão franca primazia

Por Luciano Siqueira – de Recife:

Começa pelo ambiente social em que o pleito ocorrerá, contido no “novo ciclo” resultante do impeachment da presidenta Dilma.

Nacionalmente, se interrompeu o ciclo de transformações que se iniciara no governo Lula e entrara no seu décimo terceiro ano com o segundo governo Dilma.

Em Pernambuco, idem, com o desaparecimento prematuro de Eduardo Campos. A vitória de Paulo Câmara, a despeito dos inegáveis méritos do então candidato, em 2014, foi fortemente influenciada pela emoção que então envolveu os pernambucanos.

Começa pelo ambiente social em que o pleito ocorrerá, contido no “novo ciclo” resultante do impeachment da presidenta Dilma

A tradução local do novo ciclo nacionalmente marcado pela assunção de Michel Temer; via golpe institucional, tem no realinhamento de forças um traço preponderante. Os candidatos de quatro anos atrás, Paulo Câmara (PSB) e Armando Monteiro (PTB); já não contam com o mesmo leque de aliados.

Reeleição

Paulo, pretendente à reeleição, desta vez é chamado a manter parte dos apoiadores que, em princípio, permanecem ao seu lado e a agregar outros que, pelo menos parcialmente, substituam os que se desgarraram, incluindo dissidentes do PSB.

Armando, por outro lado, que votou contra o impeachment; se associa a forças que se afastaram do atual campo governista local e expressam nitidamente o conluio com Temer. Além disso, passa a conviver com outros pré-candidatos ao governo estadual.

À esquerda, firmemente anti-Temer, PCdoB (atualmente aliado local do PSB) e PT (sob risco de isolamento); são desafiados a encontrarem solução tática que lhes permita se fortalecerem; apesar da correlação de forças em geral adversa.

O quadro, assim desenhado em poucas pinceladas, implica duas leituras concomitantes: uma dos atores políticos, a outra do eleitorado.

Partidos e lideranças

Partidos e lideranças proeminentes, sobretudo os mais calejados, são capazes de transitar nesse jogo furta cor de alianças com relativa facilidade. O desafio maior é construir coalizões potencialmente fortes e, ao mesmo tempo, sensibilizar a maioria do eleitorado com proposições consistentes, compreensíveis e convincentes.

A leitura por parte do eleitorado, envolto na maior crise de credibilidade face à política e aos políticos; ainda é uma grande incógnita, que as prematuras pesquisas eleitorais ainda não são capazes de elucidar.

Em síntese, muito mais do que ajuntar forças em torno de candidatos ao Executivo estadual, impõem-se competência política (discernimento tático, sobretudo), sensibilidade para com a voz das ruas e firmeza de comando. Ou seja, ousadia e habilidade sobre terreno movediço e minado, suprassumo da grande política.

Luciano Siqueira , é médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB.

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