Uma semana delineando o futuro

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Publicado sábado, 7 de abril de 2018 as 12:47, por: CdB

Um ato em defesa de uma democracia golpeada novamente, em sua cíclica transição; antes mesmo  de sua plena consolidação. E de solidariedade à maior liderança popular do país: Luiz Inácio Lula da Silva.

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

O palco do Circo Voador, pioneiro em lançamentos vanguardistas, como: o Barão Vermelho, Legião Urbana, Blitz, Paralamas, Capital Inicial, Débora Colker, Intrépida Trupe e muitos outros, começou a primeira semana de Abril de 2018 com um encontro histórico entre lideranças de uma esquerda pulverizada. Um ato em defesa de uma democracia golpeada novamente, em sua cíclica transição; antes mesmo  de sua plena consolidação. E de solidariedade à maior liderança popular do país: Luiz Inácio Lula da Silva.

Chico, Manuela, Lula e Monica Benício, no palco do Circo Voador
Chico, Manuela, Lula e Monica Benício, no palco do Circo Voador

Estavam lá todos os representantes dos partidos, PT, PSOL, PSB, PCB, PCdoB, intelectuais, artistas, poetas, ativistas, como síntese de movimentos com propósitos emancipadores. Certamente o ponto alto das falas foram exatamente do PSOL, divididas entre o dirigente, Valério Arcary, os deputados:  federal Jean Willys, e estadual Marcelo Freixo.

Maria Fernanda Arruda
As elites civis trataram de apropriar-se da falsa consciência castrense e usá-la a seu serviço

Todos muito aplaudidos, por necessariamente ressaltarem a importância da constituição de uma frente única contra o fascismo delineado na conjuntura de golpe, acirrada pela onda violenta da semana passada com tiros e consequências indesejadas, para os defensores da singular urbanidade. Urbanidade que não é tratada com responsabilidade pelos grupos financiadores desta assunção a menoridade do conhecimento. É exatamente aquela que se justifica no monopólio do mercado de notícias, onde a versão se sobrepõe ao fato concreto.

Conjuntura

Em jogo a unidade de uma esquerda que deve amadurecer e consolidar a construção de um programa mínimo, para além das traumáticas mortes de Marielle e Anderson, do desaparecimento do Amarildo ou da injusta prisão do Rafael Braga. Em seu discurso, Freixo lembrou que notas plantadas em jornais, sinalizando desejos particulares, não seriam o melhor meio para iniciar conversas ou entendimentos.

Em um estado onde suas principais lideranças está  presa, seja em presídios ou domicílios sob investigação, é possível meditar com alguma preocupação sobre os destinos da conjuntura, com estes atores que se transformaram em inimigos da democracia, do desenvolvimento inclusivo. O que se dirá, do necessário processo emancipatório da maioria da população, ainda anestesiada pela desinformação estabelecida.

Um atentado declaratório…

Em um mundo dominado por invasões naturais a dados pessoais de usuários do Facebook, devidamente pelo Edwuard Snowden, um espião da NSA, acusado de espionagem pelo governo dos EUA, a declaração do general Villas Bôas não surpreende. Ameaça para os defensores da democracia e alerta para os avalistas de um golpe surdo e retrógrado, as declarações teriam destino certo na análise de um HC no supremo, pesando na reconversão jurídica de alguns votos colhidos para confirmar mais um retrocesso institucional e rasgar mais um dispositivo constitucional garantidor de direitos fundamentais ao coletivo de cidadãos.

Desta declaração podemos depreender as várias vertentes formatadas em torno do combate ao golpe ou afirmação do golpe. O fascismo corporifica variadas formas, movimentos, instituições, meios, comunicações, personalidades no Brasil e ela resistiu ao tempo, desde o tempo de um dito estado novo, minúsculo, ora maiúsculo em seu manifestar desordenado e incontrolado, por interesses especiais.

Vale refletir sobre os atos terroristas à caravana do ex-presidente Lula. Vale refletir sobre o silêncio sobre esta ameaça de mais uma quartelada, ao estilo de 1964, contra uma corrupção, embora garantidora da corrupção…

Um voto sempre criativo da Rosa Weber

Mérito à parte a reconhecida ministra, Rosa Weber, dá sua segunda grande contribuição em um supremo minúsculo na interpretação de dispositivos constitucionais que sempre negaram o punitivismo cego. Lembremos da sua majestosa frase para condenar José Dirceu, à época, “Não tenho prova cabal contra Dirceu – mas vou condená-lo por que a literatura jurídica me permite”. Os quartéis permitem outras mudanças constitucionais…

O dia seguinte de uma luta entre mais outro luto

Encerrando a quinta com o mandado de prisão de Lula, que deverá se apresentar até amanhã voluntariamente à PF em Curitiba. Com ele se aprisionam sonhos de um país que foi inclusivo,  alimentado, ensinado, morado, viajado, … A melhor solidariedade será enriquecer todos os movimentos contra este golpe que condena uma maioria desfavorecida, indefesa, ou, lideranças que defendem mudanças reais para construir uma sociedade mais justa e igualitária!

Uma rosa vermelha para as verdadeiras rosas Vermelhas!

Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil.

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