Unir, resistir e lutar, esta é a consigna

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Publicado segunda-feira, 9 de abril de 2018 as 10:19, por: CdB

A prisão de Lula é uma arbitrariedade típica de um país sob regime de exceção, onde o Estado democrático de direito já não tem existência sequer formal, pois a Constituição é violada pelas próprias instituições encarregadas de zelar pela estrita aplicação dos seus dispositivos

Por José Reinaldo Carvalho – de São Paulo:

Por todos os ângulos que se analise o episódio, trata-se de uma ação atrabiliária, repressiva e odiosa pela qual são responsáveis, independentemente das cínicas declarações que alguns próceres do governo e do parlamento possam fazer diante do fato consumado, os personagens envolvidos no golpe de Estado de 17 de abril e 31 de agosto de 2016. Todos, sem exceção.

Unir, resistir e lutar, esta é a consigna

Todos, e aqui não há espaço para citar nome, sobrenome e endereço de cada um dos que estiveram implicados na trama; que levou à derrubada da presidenta legítima Dilma Rousseff; incluindo os que votaram, todos, sem exceção, nas vergonhosas sessões da Câmara e do Senado a favor do impeachment da presidenta.

Todos os que deram e dão sustentação no parlamento e fora dele ao regime golpista presidido pelo traidor-mor da nação; o inquilino do Jaburu. Entre estes, surgem agora os que posam de dissidentes; e se demarcam do aliado por razões eleitoreiras e interesses inconfessáveis.

Lula

A prisão do presidente Lula por um juizeco de primeira instância, após veredito de uma maioria de juizes com mentalidade de meganhas; e torquemadas e não de ministros da Corte Suprema de uma República democrática; é a expressão mais concentrada do retrocesso político por; que passa o país depois de haver vivido um ciclo virtuoso de ampliação da democracia; do exercício de direitos sociais e da soberania nacional.

Sob o regime golpista, o país vive agora o drama da instauração de um regime violador da Constituição e do aniquilamento da democracia; conquistada a duras penas em 1985, após a superação da ditadura militar.

Quem conhece a história do Brasil e não se ilude com a patranha de que somos o país das mudanças graduais; dos acordos democráticos patrocinados pelos setores mais lúcidos das elites; das inclinações pacifistas das Forças Armadas, da formação liberal das instituições jurídicas e políticas, enoja-se; encoleriza-se, reage; mas não se surpreende. Isto é recorrente na história do Brasil.

Brasil

Uma vez mais, as classes dominantes retrógradas, herdeiras dos escravagistas; declaram guerra ao povo, valendo-se do poder econômico; do respaldo externo proveniente do imperialismo, dos setores mais reacionários das forças armadas; da mídia sob seu controle e dos estamentos policiais e judiciários. Impõem sua ditadura, por diferentes caminhos e variadas formas.

Uma vez mais o Brasil é lançado ao abismo e se vê diante de uma encruzilhada histórica. Um transe na vida nacional, hoje marcada não só pela mutilação da vida democrática mas pela tragédia da fome; do desemprego, da miséria, da deterioração dos serviços públicos; da corrosão dos direitos; da sujeição aos potentados internacionais imperialistas.

Política

Está em curso uma brutal ofensiva política, ideológica, judicial, midiática e policialesca; que visa a cercar e aniquilar as forças de esquerda. Faz parte deste processo a modelagem de um novo regime político; a ser monopolizado pelas forças reacionárias, mal chamadas de “centro” e “centro-direita”.

As forças progressistas, a começar pela esquerda consequente; não podem assistir passivamente ao desenrolar deste transe, encenando a “defesa da política”; e da luta por farrapos de direitos tendo por argumento boutades e por tribuna mal ajambradas redes sociais.

A luta política

A luta política e social ingressa objetivamente em nova fase, eleva-se, independentemente da vontade dos seus protagonistas; a mais alto patamar, o que impõe a elaboração de novas estratégias; táticas, métodos e formas de combate.

Pode ser ainda um fenômeno imperceptível; num quadro de correlação de forças extremamente desfavorável; mas objetivamente acumulam-se os fatores conducentes a uma revolução democrática; o que implica como dever da esquerda consequente a disponibilidade para mobilizar amplas massas do povo; unir amplas forças suscetíveis de serem unidas.

A meta imediata é derrubar o regime golpista para abrir uma nova página na história nacional em que floresçam a democracia e os direitos do povo.

As leis do desenvolvimento histórico são inexoráveis, apesar da violência das classes dominantes e da pusilanimidade dos que têm medo de enfrentá-las.

As classes dominantes

As classes dominantes preparam uma fraude e uma farsa para que as eleições de 2018; se forem realizadas, tenham apenas um resultado possível; a vitória de seus partidos e de seu candidato.

A única via para deter esta ofensiva é a unidade das forças que desde 1989 têm marchado com Lula; e com ele governaram o país no período de 2003 a 2016.

Unir, resistir e lutar, esta é a consigna.

José Reinaldo Carvalho, é jornalista, pós-graduado em Política e Relações Internacionais. É secretário de Política e Relações Internaconais do PCdoB.

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