Universidades formam rede para acelerar compra de insumos

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Publicado quinta-feira, 9 de abril de 2020 as 14:28, por: CdB

O fato de as compras de insumos laboratoriais dependerem de importação é apontado como um dos principais obstáculos por cientistas brasileiros que desenvolvem experimentos e kits de diagnóstico de covid-19.

Por Redação, com ABr – de São Paulo

Em uma aliança de enfrentamento à covid-19, a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (Unesp) se articularam para lançar uma plataforma que deve agilizar a obtenção de insumos necessários para a produção de testes de diagnóstico. Cerca de 20 laboratórios das três instituições participarão da iniciativa, que é coordenada pelo diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Cientistas apostam na centralização de compras pelo governo estadual
Cientistas apostam na centralização de compras pelo governo estadual

A plataforma foi oficializada no último dia 2, com a adesão de seis laboratórios que já realizam testagem pelo Instituto Adolfo Lutz, além dele próprio. Na próxima etapa, os demais irão se juntar ao grupo, após obter o credenciamento requisitado que os autoriza a emitir diagnósticos da doença.

Segundo Covas, que também é membro do Centro de Contingenciamento do Coronavírus do Estado, núcleo criado pelo governo estadual de São Paulo, a ação já tem dado resultado. Ele informou que a primeira remessa de kits encomendados da Coreia do Sul já deve chegar na próxima semana e que a compra de reagentes está em andamento.

O fato de as compras de insumos laboratoriais dependerem de importação é apontado como um dos principais obstáculos por cientistas brasileiros que desenvolvem experimentos e kits de diagnóstico de covid-19. O aumento na demanda dos itens também tem atrapalhado o avanço dos estudos.

Centralização de compras

O vice-diretor da Faculdade de Medicina da USP, Roger Chammas, explicou que uma das estratégias da plataforma é garantir os produtos centralizando a aquisição na Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Com isso, diz ele, que também coordena a Rede USP para o Diagnóstico da Covid-19 (Rudic), o problema deve ser atenuado.

Para contornar a dificuldade de aquisição de reagentes, a equipe do projeto também tem buscado ampliar o leque de opções disponíveis. Especialistas da Unicamp que estão no projeto têm trabalhado para avaliar os efeitos de diversas marcas de reagentes, com o objetivo de achar alternativas aos insumos que geralmente são utilizados.

Depois de experimentá-los e comprovar que mantêm o mesmo nível de qualidade, os pesquisadores irão elaborar padrões de protocolo, para que colegas possam aproveitá-los e evitar que suas atividades também parem por falta de insumo. O plano é de disponibilizar os protocolos no site da força-tarefa criada pela Unicamp para o combate de covid-19.

Cobertura no interior do Estado

Os pesquisadores têm procurado, ainda, aproveitar as vantagens com as quais já contam, como a capilaridade regional da Unesp, que possui 34 unidades, distribuídas em 24 municípios.

Além disso, a vivência da universidade em ações de cooperação com o governo federal é encarada pela equipe de pesquisadores como outro ponto positivo. Um exemplo é o desenvolvimento de testes de HIV e hepatites C e B para o Ministério da Saúde, que, na opinião da professora Rejane Grotto, da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, poderá servir como referência.

A rede de laboratórios da Unesp foi aprimorada com o projeto de pesquisa Rede de Diversidade Genética de Vírus, realizado de 2002 a 2007, e hoje dispõe de laboratórios com nível de biossegurança 3 (Araraquara) e 2 (Botucatu e São José do Rio Preto).

Ao serem melhorados, os laboratórios se tornaram locais onde é possível a realização de testes que manipulam material genético de vírus para a identificação da covid-19, como é o caso do teste de diagnóstico PCR.

Rejane destaca, por fim, que haverá, na equipe, uma parcela de pesquisadores dedicada ao diagnóstico e outra à pesquisa. De maneira integrada, farão análises sobre aspectos epidemiológicos, interação célula-patógeno, desenvolvimento de novas tecnologias, desenvolvimento de ferramentas para prever possíveis desfechos e sequelas que a covid-19 poderá deixar em pacientes.

Incidência no Brasil

De acordo com relatório divulgado na quarta-feira, pelo Ministério da Saúde, o Brasil contabiliza 15.927 casos confirmados de covid-19. O total posiciona o país na 14ª posição mundial. A colocação sobe para o 12º lugar quando se considera o número de óbitos ocorridos em decorrência da infecção, que é de 800. Atualmente, portanto, a taxa de letalidade é de 5%. O Estado de São Paulo segue como a unidade federativa que responde pela maior quantidade de casos, com 6.708 registros, seguida pelo Rio de Janeiro e Ceará, respectivamente com 1.938 e 1.291.

Confira a lista de laboratórios que farão parte do projeto:

USP

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina

Hospital das Cínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto

Fundação Hemocentro da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto

Hospital Universitário, sediado na capital paulista, na Faculdade de Odontologia de Bauru e na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FEZEA), em Pirassununga

Unicamp

Laboratório de Patologia Clínica do Hospital de Clínicas

Unesp

Hemocentro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu

Laboratórios de Imunologia Clínica e Biologia Molecular, do Departamento de Análises Clínicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCFAr), em Araraquara

Laboratório de Estudos Genômicos, do Departamento de Biologia do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), em São José do Rio Preto

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