Uruguai planeja produzir cannabis mais potente para atrair novos consumidores

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Publicado quarta-feira, 16 de dezembro de 2020 as 11:08, por: CdB

O Uruguai espera, a médio prazo, produzir uma nova variedade de maconha para uso não medicinal com maior percentual de tetrahidrocanabinol (THC) e aumentar a produção para atender à demanda por cannabis mais forte.

Por Redação, com Sputnik – de Montevidéu

O Uruguai espera, a médio prazo, produzir uma nova variedade de maconha para uso não medicinal com maior percentual de tetrahidrocanabinol (THC) e aumentar a produção para atender à demanda por cannabis mais forte, afirmou à agência russa de notícias Sputnik na terça-feira o presidente do conselho de administração do Instituto de Regulação e Controle do Cannabis e secretário do Conselho Nacional de Drogas do país, Daniel Radío.

Plantação de maconha
Plantação de maconha

Além da produção de maconha mais potente, o governo uruguaio também planeja exportar a erva para uso medicinal para torná-la mais lucrativa para quem produz.

– Acho que em breve teremos de introduzir uma nova variante (da maconha), espero que com um conteúdo mais alto de THC e menos canabidiol (CBD), e é nisso que estamos trabalhando (…). Não significa que no curto prazo iremos ter na farmácia porque envolve cultivo e um processo, mas imagino que a médio prazo vamos ter um novo produto na farmácia com maior teor de THC e menos CBD – garantiu Radío.

A variedade que se vende atualmente nas farmácias do Uruguai tem um percentual de THC, seu principal componente psicoativo, menor ou igual a 9%, mas também possui alto teor de CBD que atua como modulador dos efeitos do THC. “Alguns usuários não gostam e param de comprar”, reconhece Radío.

Turismo e exportação

O Uruguai iniciou este ano sua trajetória de exportação de cannabis para uso medicinal e cânhamo industrial, e espera continuar crescendo nesta área, para a qual apostará na qualidade, disse Radío, que frisou também que apostando na qualidade da cannabis para uso medicinal, o país poderá transcender o teto que a competição do mercado vai impor, algo que será muito forte na indústria do cânhamo, já que são muitos os países que produzem na América Latina e na Europa.

– O Uruguai tem um prestígio que acumulou ao longo da vida no que se refere à qualidade, (por isso) não pode ser negligenciado neste assunto – explicou o secretário.

Em relação à cannabis turística, ou seja, disponível para estrangeiros que chegam ao Uruguai com a intenção de usar a maconha para fins recreativos, Radío confessa que é uma possibilidade a ser estudada.

– Acho que em algum momento da história nos parecerá estranho que tenhamos questionado isso, e acho que, no longo prazo, deveria ser uma coisa normal ir para outro país onde há uma regulamentação do mercado de cannabis e poder consumi-la. Hoje a regulamentação que temos não permite, existe um decreto que estabelece quem pode ter acesso e os turistas não – diz Radío.

Por isso, o secretário comenta que viabilizar o consumo para os turistas envolve questões técnicas, como quem vai produzi-lo, que características terá e onde será vendido, mas também políticas.

– Todas essas são questões que devem ser resolvidas, mas antes disso é preciso tentar fazer um levantamento político, pois são determinações que geram sensibilidade na opinião pública (…). Pretendo avançar nisso enquanto há um consenso político suficientemente amplo e não se restringe eventualmente à coligação de governo, para que tenha continuidade – explicou.

Recentemente completou sete anos desde a aprovação da Lei 19.172, pela qual o Estado uruguaio assumiu a produção, comercialização e distribuição da maconha, que após um longo processo de regulamentação, em 2017 começou a ser vendida nas farmácias.