Vacina contra dengue está em fase final de produção

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Publicado quinta-feira, 10 de outubro de 2019 as 12:20, por: CdB

A vacina contra a dengue deverá estar disponível para toda a população pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2022.

Por Redação, com ACS – de Brasília

A vacina contra a dengue deverá estar disponível para toda a população pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2022. Produtor de imunobiológicos, o Instituto Butantan está na fase final de produção da vacina. A expectativa é que possa ser indicada, tanto para pessoas que já foram infectadas por um dos quatro subtipos da dengue, quanto para quem nunca teve a doença.

Toda tecnologia de desenvolvimento é brasileira, pelo Instituto Butantan
Toda tecnologia de desenvolvimento é brasileira, pelo Instituto Butantan

– Isso nos dá muito orgulho porque é uma instituição pública e é um desenvolvimento tecnológico nacional. Vamos produzir a vacina não só para o mercado brasileiro, mas para toda a comunidade mundial – disse o secretário de Vigilância em Saúde do ministério da Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira.

De acordo com o Ministério, em 2019 (até 24 de agosto), foram registrados 1.439.471 de casos de dengue no país, um crescimento de 599,5% em relação ao mesmo período de 2018 (205.791).

A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 690,4 casos/100 mil habitantes. Entre os estados com casos, destacam-se Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Com relação ao número de óbitos, foram confirmadas 591 mortes.

A expectativa é de que com a vacina haja diminuição do número de casos e mortes. No entanto, “a vacina não será solução para tudo porque o mosquito também pode transmitir a zika e o chicungunha. Então, não podemos baixar a guarda”, lembrou o secretário.

O projeto está na terceira e última fase, que é a demonstração da eficácia da vacina. A expectativa dos pesquisadores é de que a eficácia seja igual ou superior a 80%, considerada bastante alta. Outro objetivo dessa última fase é transportar para uma escala industrial todo o procedimento que foi feito em uma escala piloto menor.

O diretor da Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância do Butantan, Alexander Roberto Precioso, ressaltou o pioneirismo da ação. “Esse é o primeiro programa que chega a fase três totalmente produzido, desenvolvido e estudado por pesquisadores brasileiros de um instituto público. E é pioneiro no mundo porque tem o objetivo, não só de atender à demanda brasileira, mas contribuir com outros países”, afirmou.

De acordo com o ministério da Saúde, desde 2015, foram destinados cerca de R$ 465 milhões para pesquisas e desenvolvimento de vacinas e novas tecnologias.

Etapas de desenvolvimento

Para garantir segurança e eficácia, o processo de desenvolvimento de uma vacina é complexo e passa por diversas etapas, podendo durar anos. Contra a dengue, são necessárias três fases antes de pedir o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O desenvolvimento da vacina começou em 2009.

A dose da vacina está sendo administrada em dezessete mil voluntários de dois a 59 anos contra os quatro sorotipos dos vírus da dengue nas cinco regiões do Brasil. Os voluntários são acompanhados por cinco anos. “Todos já foram vacinados com uma dose de vacina porque a nossa expectativa é de que essa vacina funcione apenas com uma dose”, relatou o diretor.

Na primeira fase, a vacina foi testada em um grupo pequeno de até cem pessoas para avaliar a segurança. Já na segunda fase, o número de pessoas aumentou e foi iniciada a análise imunológica, ou seja, como a vacina estimula o sistema imunológico.

Após a terceira fase, da comprovação de eficácia, o dossiê é submetido à Anvisa para que se conquiste o certificado da vacina.

Campanha contra dengue 2019

O mês de novembro é marcado pelo início das chuvas. É o começo também do aumento dos focos de dengue. Neste ano, o Ministério da Saúde antecipou a campanha em trinta dias e começou no final de setembro justamente para que os alertas fossem feitos antes das chuvas.

O objetivo é eliminar as possibilidades de foco antes que virem, de fato, focos do vírus. Par isso, são importantes ações como virar garrafas de boca para baixo, limpar as calhas do telhado ou não deixar os pratinhos das plantas com água parada.

– Todos esses locais, por menor que sejam, são importantes para o crescimento da doença. Uma tampinha de garrafa para o mosquito é uma piscina olímpica e ele se reproduz com muita velocidade – alertou o secretário de Vigilância em Saúde do ministério da Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira.

A campanha deste ano traz o slogan “E você? Já combateu o mosquito hoje? A mudança começa por você”. Mais uma vez, é fundamental o engajamento da população. “Não temos um tratamento específico. Então, é fundamental a prevenção impedindo que o mosquito nasça neste verão”, ressaltou Wanderson Oliveira.

Durante todo o ano, o ministério da Saúde combate o mosquito com apoio da Sala Nacional de Coordenação e Controle. As videoconferências com as 27 salas estaduais ocorrem mensalmente e, durante o período epidêmico, quinzenalmente. O Ministério também oferece aos estados e municípios apoio técnico, veículos para realizar fumacês, testes diagnósticos e fornece insumos, como larvicidas.

Vacinar as crianças contra o sarampo

Começou na segunda-feira a Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo. A primeira fase, de 07 a 25 de outubro, será voltada para crianças de 6 meses a menores de 5 anos de idade, com dia D em 19 de outubro. Já a segunda etapa está prevista para iniciar no dia 18 e novembro e será direcionada para adultos de 20 a 29 anos que não estão com a caderneta de vacinação em dia. A meta é vacinar 2,6 milhões crianças na faixa prioritária e 13,6 milhões adultos.

Ana Laura completou um ano há uma semana e acabou de tomar a primeira dose contra o sarampo. “Não deixamos passar. Desde que ela nasceu, tomou todas as vacinas nas datas corretas e o sarampo foi uma das coisas que mais preocupou nos últimos meses”, disse o pai, Flavio Vargas Bernardo.

O professor de Brasília, Ismael Teixeira, também já vacinou o filho de um ano. “É importante conscientizar os pais a participarem trazendo os seus bebês para manter a saúde da criança em ordem”, afirmou.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, chamou a atenção para a necessidade da segunda dose. De acordo com o ministro, a cobertura da primeira dose é de 92%. Já a da segunda dose cai para 80%.

– Na segunda dose, pais estão deixando a desejar. A vacina é um direito da criança e um ato de amor – disse o ministro. Segundo o ministério da Saúde, 39 milhões de brasileiros de um a 49 anos não são vacinados ou tomaram apenas a primeira dose, não estando imunizados.

Este ano, a luta contra o sarampo conta com três novidades: a dose zero, recursos extras para municípios que mais vacinarem, e o dobro de doses em relação ao ano passado. Além disso, o governo anunciou a criação de dez passos para aumentar a cobertura vacinal no país. A partir do ano que vem, os idosos de 50 a 59 anos também deverão se vacinar.

Sobre as fake news e pessoas que não dão valor à importância da vacinação, o ministro lembrou que esta é uma geração que não viveu a dor de várias doenças. “Diferente das avós e bisavós, hoje, quando se fala de difteria ou sarampo para alguém de vinte anos, nem sabe o que é. Tem gente que não sabe o que é rubéola ou caxumba, então não dá o devido valor”.

Dose Zero

A maior incidência de casos de sarampo vem ocorrendo em crianças menores de um ano. Por isso, o governo intensificou a imunização com a chamada dose zero. Ela é uma dose extra que não retira a importância de, após completar um ano, a criança tomar as duas doses normais: a dose 1 e a dose 2.

Recursos

Outra novidade da Campanha deste ano é um recurso extra no total de R$ 206 milhões para os municípios que vacinarem mais de 95% das crianças de um a cinco anos de idade com a primeira dose da vacina tríplice viral. Para receber esse recurso adicional, os municípios precisam também informar mensalmente o estoque das vacinas de poliomielite, tríplice viral e pentavalente.

Dobro de doses

Para ampliar a vacinação em todo país, o Ministério da Saúde fez a maior compra de vacinas contra o sarampo dos últimos dez anos. Ao todo, foram adquiridas 60,2 milhões de doses da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Em 2018, foram 30,6 milhões de doses.

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